quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

DEZSÖ KOSZTOLÁNYI

ANTONIO LÔBO ANTUNES E COTOVIA (Alondra)

São tão diferentes e inusitados os caminhos que nos levam a alguns lugares!

Foi através das inúmeras entrevistas dadas na RTP,
penso que todas a Mario Crespo,
que cheguei mais perto do escritor Antonio Lôbo Antunes.
Foi em 2007, precisamente ao aproximar-me de Portugal,
que iniciei a bela tarefa de conhecer a fala e o pensamento
do escritor admirável, que em 2007 recebeu o Prêmio Camões,
o mais importante para autores de língua portuguesa,
atribuído ao romancista pelo conjunto da sua obra.
Instituído em 1988, pelos governos de Portugal e do Brasil,
o Prémio Camões é anualmente outorgado a autores
cuja obra contribua para o enriquecimento do património literário
e cultural da língua portuguesa.
Aqui muitas vezes já teci comentários
sobre minha admiração pelo homem e escritor Lôbo Antunes.
Dessa forma, nos anos subsequentes acompanho
seus depoimentos e entrevistas nos lançamentos dos seus livros,
e incio assim a leitura das suas publicações.
Muitas vezes, ouvindo tais depoimentos,
via-o porta voz de palavras e sentimentos meus,
ecoando profundamente nas antigas memórias.
Em julho deste ano, fui a FLIP,
Feira Literária Internacional de PARATI, no Rio de Janeiro,
evento que acontece todos os anos,
reunindo os grandes escritores do mundo e suas publicações.
Recebí como presente a possibilidade de ver e ouvir Lôbo Antunes,
em conversa com o jornalista brasileiro Humberto Werneck,
além de estar no lançamento do seu livro, "O meu nome é Legião".
http://www.youtube.com/watch?v=iyLPdx1p338&feature=related

Em outubro, no lançamento de
" Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?",
seu último livro, também pela Editora Dom Quixote,
Lôbo Antunes novamente é entrevistado pelo Mario Crespo,
assitido por mim inúmeras vezes,
em raras e belas falas de muita sensiblidade e compreensão do outro,
de "paisagens interiores" como diz ele.


No encontro da FLIP, Lôbo Antunes, fez em público,
a indicação do livro de DEZSÖ KOSZTOLÁNYI, "COTOVIA".
Na altura nunca tinha ouvido falar desse grande escritor,
considerado o maior escritor húngaro deste século.
Nasce em Szabadka, 1885 e morre em Budapeste, 1936.
Foi narrador, poeta, tradutor, ensaísta e jornalista.
Publicou poesia (Queixas de um menino pobre, 1910;
Queixas de um homem triste, 1924,
e Cálculo, 1935), ensaio, contos e romance
(Cotovia, 1924 [o único título disponível em Português];
O cometa dourado, 1925; Ana, a doce, 1926
e Nero, o poeta sangrento, 1922).

Orginal, sóbrio e arrebatador.
Um livro que não se esquece.
Setembro de 1899: numa pequena cidade
de província
do império austro-húngaro, a filha única dos Vajkay,
carinhosamente chamada Cotovia,
dispõe-se a passar uma semana de férias com os seus tios.
A despedida na estação é dolorosa,
os dias de separação serão penosos.
No entanto, para o velho casal inicia- se, precisamente,
um feliz período de redescobertas: a boa comida,
a afectuosa e divertida companhia de velhos amigos,
a peculiar extravagância dos comediantes, a música, o riso.
Numa semana, coincidem pois,
a alegria de viver com a ausência dessa filha querida,
solteirona e pouco graciosa,
cuja presença dava sentido e ao mesmo tempo
condicionava a existência dos Vajkay.
Este romance, que Le Nouvel Observateur apelidou de “delicioso”,
“delicado” e “arrebatador”, prova que não é preciso um grande enredo
para escrever um grande romance.
É preciso, isso sim, agarrar a alma das personagens
e explaná-la nas páginas com toda a intensidade que a vida exige.
Deszo Kostolanyi é um mestre na arte de comover
e Cotovia uma obra-prima.

Terminei por ler a tradução castelhana - "Alondra",
por não encontrar com facilidade a edição em português.
Dizem os críticos que é muito melhor que a edição portuguesa
e também mais barata (ED. BYBLOS, 13,75 E)
E como sempre, a vida nos surpreende!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

"Ter um blog é como estar no AA".


Bon Appetit!

Cada vez que assisto um filme com a Meryl Streep,
penso que é a sua superação.
Entretanto sou surpreendida a cada nova estréia.
Foi assim quando vi “As pontes de Madison”,“A Escolha de Sofia”,
“As Horas”, “Entre dois amores”,“ O diabo veste Prada”,
“A última noite”, “Júlia”, “A casa dos Espíritos’’ dentre muitos outros.
Além do filme “delicioso”, que é Julie&Julia, melhor ainda
é ver Meryl Streep vivendo um papel que parece escrito para ela.
Decididamente Meryl continua sendo minha atriz preferida.
Através da classificação de “comédia romântica”,
Julie&Julia é uma história de desafios e superação.
De forma muito delicada e simples,
fala da importância em se fazer as coisas com paixão.
A sua mensagem é de que a vida deve ser vivida
com leveza e alegria, sempre, inclusive na cozinha.
Há uma cena do filme, onde a Julia Child
tenta virar uma omelete na frigideira,
num programa culinário na TV,
e grande parte da omelete caí no fogão.
Ela junta o que caiu de volta a frigideira e comenta:
“Se você está sozinho na cozinha, não tem problema”.
Além de tudo, Paul Child o diplomata marido da Julia (Stanley Tucci)
e Julia Child (Meryl Streep) vivem um casal
onde a cumplicidade e o amor reafirmam o ideal dos relacionamentos.
O filme além de tudo é uma viagem gastronômica,
“Boeuf Bourguignon” , “Salada Verde”, “ Ovos Nevados” ,
"Omeletes", "Alcachofras ao creme" ,“Pato Desossado”
e muitas outras delícias......

Ainda encontrei uma receita de Julia Child,
que parece deliciosa, experimentem!

Crêpes da Julia Child [Mimos da Fer]

Ingredientes:
(Para 12 crepes de 16 cm)
1 xícara de água gelada 1 xícara de leite gelado 4 ovos grandes
1/2 colher (chá) de sal 2 xícaras de farinha de trigo
4 colheres (sopa) de manteiga derretida
Bata todos os ingredientes no liqüidificador
em velocidade alta por 1 minuto.
Leve à geladeira por pelo menos 2 horas.
Unte levemente uma panquequeira de teflon ou ferro com óleo.
Leve ao fogo médio até começar a sair fumaça.
Retire do fogo e despeje cerca de 1/4 de xícara da massa,
inclinando a panquequeira de modo que a massa
alcance toda a superfície e que fique bem fina.
Volte ao fogo e deixe por cerca de 1 minuto.
Ele estará pronto quando soltar facilmente
ao mexer a panquequeira.
Vire o crepe e deixe o outro lado por 30 segundos.
Esse lado deve ser o que fica pra dentro.
Repita o processo com o restante da massa.

Fonte: The French Chef Cookbook [Julia Child].

domingo, 27 de dezembro de 2009

SARAU DAS ÀGUAS - EXPOSIÇÃO

SOBRADO

ARTE.DESIGN.CONVIVÊNCIA

al. das algarobas 74 caminho das arvores



































Esculturas:
Carmen Bastos
Ana Pires

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009


“Toda alegria longa e autêntica é severa.
O que não impede que a alegria seja leve
e tenha gosto de vinho.
Assim é a alegria.
Não cai do céu, nem salta do mar,
nem nos bate a porta de repente,
como a visita de um anjo.
Ela é o barco que projetamos e construímos,

no espaço do nosso tempo.
A alegria autêntica vai consistir em nos dispormos, embarcados, a serviço do ser.
Esse ofício é paixão e disciplina,

perseverança e esperança,
modéstia e embriagada lucidez.”
Helio Pellegrino (A Construção da Alegria)
A arte do ceramista pede a sabedoria do gesto.
Henri Focillon [1881-1943] publicou,
no final de seu livro "A Vida das Formas",
um "Elogio da Mão".
Escreve ali:
"Por elas (as mãos) o homem toma contato com a dureza do pensamento.
Elas liberam o bloco. Elas lhe impõem uma forma, um contorno e,
na própria escrita, um estilo".
Adiante: "A mão é ação: ela toma, cria e, por vezes, diríamos que ela pensa".


EXPOSIÇÃO VERÃO/2009























































































AOS NOSSOS QUERIDOS ALUNOS ,
AOS AMIGOS E COMPANHEIROS DO DIA A DIA,
DEDICAMOS NOSSO SUCESSO E REALIZAÇÕES!

































************************

Ensinar é aprender, não é transmitir conhecimentos
Ivone Boechat

Ensinar é aprender. Ensinar não é transmitir conhecimentos.

O educador não tem o vírus da sabedoria.
Ele orienta a aprendizagem, ajuda a formular conceitos,
a despertar as potencialidades inatas dos indivíduos
para que se forme um consenso em torno de verdades
e eles próprios encontrem as suas opções.

A etimologia revela que o substantivo aprendizagem

deriva do latim "apprehendere", que significa apanhar,
apropriar, adquirir conhecimento.
O verbo aprender deriva de preensão, do latim "prehensio-onis",
que designa o ato de segurar, agarrar e apanhar, prender,
fazer entrar, apossar-se de.

Ensinar: palavra latina insignīre, quer dizer "marcar, distinguir, assinalar".

É a mesma origem de "signo", de "significado".
A principal meta da educação se processa em torno da auto-realização.
Logo, ela propõe a reformulação constante de diretrizes obscuras
para alcance dos objetivos, comprometidos com a valorização da vida.
A educação carimba a sociedade que deseja ter !

O professor, como agente de comunicação,

transformou-se num dos mais pobres recursos e dos mais ricos.
Quando se imagina dono da verdade, rei do currículo,
imperador do pedaço, mendiga e se frustra.
Quando se apresenta cheio de humildade,
de compreensão e vontade de aprender, resplandece e brilha!

Os estudantes estão abastecidos por uma carga de informações

cuja capacidade de assimilação nem comporta.
O ser humano tem potência de semi-deus, com emoções de um mortal.
O avanço da era espacial em que vive tornou o homem angustiado pela consciência de sua fragilidade para absorver e superar os desafios à sua volta.
É mister que se reestruture o conceito de Escola ou se reconheça a sua derrota. Os que nela atuam não podem continuar a caminhar distantes da realidade,
em marcha lenta, porque assim, estão concorrendo para o fracasso.

Repetindo uma expressão muito antiga,

“a Escola não sabe a força que ela tem.”
Deve-se abolir, de imediato, a cultura do supérfluo,
selecionando conteúdos mais significantes e atuais.
Não se pode contribuir para que o desinteresse se instale e,
conseqüentemente, esvazie o espaço da aprendizagem permanente.
O educador deve se preparar para estar apto
perante a onipotência da máquina, e não se assustar com a sua eficiência.
Estar sempre atento aos transbordamentos da ciência
e não se embrutecer na resposta.

De que valem as "reformas" educacionais,

se mudanças radicais não ocorrem?
Elas passam, os problemas maiores continuam,
gerações se substituem e, no universo de perguntas não respondidas,
resultados positivos não se operam, muitas vezes.
Os enlatados culturais intoxicam como os outros,
se transformam em "pacotes culturais" e saem por aí,
empacotando a sensibilidade, a criatividade,
que tanto contaminam a educação.

Um exemplo? Entende-se barulho como música!

Poesia como cafonice, família como utopia, Pátria como sucata.
Quem ama educa, educar é educar-se a cada dia,
sem a pretensão de preparar para a vida.
O poder de adivinhar o futuro o educador não o possui.
Ele orienta, para que, em situações imprevisíveis,
se processem alternativas. Educar não é ensinar, é aprender.

Ivone Boechat é Professora em Niterói/RJ
ATELIER TERRA E COR - SALVADOR - BAHIA - BRASIL
O ano termina................
Mas um Ano Novo começa!
O atelier ganha cores mais vivas, prepara-se para a despedida.
Voltamos em 2010, com certeza! I'm sure............
Voltamos com novas idéias, novas criações,
novo ânimo, novos alunos, e novos desafios!
Ganhamos tantas coisas, tantas,
Difícil enumerá-las, impossível.
Partilhemos cada momento, alguns registrados!


































segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

SIMPLICIDADE!

John Lennon iniciou uma canção famosa da sua fase pós-Beatles
com o seguinte verso: "Então é Natal / E o que você tem feito?"
(Merry Christmans - War Is Over).
É uma pergunta desconcertante para uma época do ano que pretende reunir e pacificar,
e nos coloca diante de reflexões existenciais sobre vitórias e fracassos pessoais.
Segundo especialistas o período de Festas tem, de fato, esse poder.
Em outras palavras: ao invés de encerrar uma noite de celebração
abraçada a parentes e amigos queridos, muita gente
termina agarrada à tristeza e auto-comiseração
"É uma época de cobranças, em que fazemos balanços do que foi conquistado.
E isso pode trazer sentimentos de fracasso, baixa autoestima e desesperança",
explica Acioly Lacerda, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Ele acrescenta que constatações clínicas revelam aumento
de casos de depressão e tristeza nessa fase do ano.
"As Festas podem funcionar como um gatilho
para quem tem pré-disposição à depressão",
completa o psiquiatra Ricardo Moreno,
da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).
Pular sete ondinhas na praia ou comer lentilha podem não resolver toda a questão.
Mas os especialistas acreditam que há maneiras
de combater a eventual "deprê de fim de ano".
Em primeiro lugar, é aconselhável evitar o rigor excessivo consigo mesmo,
além de relativizar os acontecimentos recentes.
"Ao invés de fazer uma lista das coisas ruins que ocorreram no ano,
enumere as boas", diz Moreno.
O segundo passo é lembrar o quanto se é querido pelas pessoas mais próximas
- as que realmente importam. Isso ajuda a elevar a autoestima.
Um terceira dica do psiquiatra: as Festas são um momento propício
para tentar resolver conflitos com familiares e amigos.
"É uma ocasião em que as pessoas estão abertas para ouvir,
perdoar e restabelecer vínculos afetivos", diz Moreno.
"Esse sentimento gregário é inconsciente, mas é o verdadeiro espírito de Natal."
Os especialistas advertem também que é preciso tomar cuidados
ao se olhar para o futuro, para o Ano Novo que chega.
Isso vale especialmente para aquelas pessoas que planejam
uma "revolução" a cada Réveillon.
"Essa data não deve ser encarada como um marco para uma vida nova,
pois isso gera um clima de euforia e ansiedade", aconselha Lacerda.
Nesse sentido, é de grande ajuda não estabelecer metas inatingíveis
e prazos para a mudança - o que pode criar ambientes favoráveis à depressão.
Ou seja, risque da lista de metas a ideia de perder vinte quilos,
comprar a casa dos sonhos ou ser promovido a presidente da empresa
se não há chances de isso acontecer.
"Ter metas é bom, desde que elas sejam alcançáveis.
É preciso adequar os desejos às possibilidades",
afirma a psicanalista Dorli Kamkhagi, especialista em estudos do envelhecimento.
Por fim, pode-se voltar à canção de Lennon.
Logo após o trecho citado na abertura desta reportagem, ele emendou:
"Outro ano se encerrou/ E um novo acaba de começar."
Ou seja: a despeito de nossos eventuais fracassos passados,
uma nova etapa, uma nova oportunidade se abre à nossa frente.

Natalia Cuminale

domingo, 20 de dezembro de 2009

AMIZADE!

O VALOR DA AMIZADE

"O amigo vê e ouve o que não somos capazes de ver nem ouvir.
Assim sendo, pode fazer por nós
o que não temos como fazer por nós mesmos"

A mesma palavra tem significados diferentes
de acordo com o texto ou o discurso em que figura.
A importância disso é capital, pois significa que,
para interpretar uma palavra, precisamos nos debruçar
sobre o contexto do qual ela faz parte
ou escutar verdadeiramente quem a profere.
Do contrário, não a entendemos.
O ensinamento básico de Sigmund Freud é esse
e bastaria para justificar a psicanálise,
se isso ainda fosse necessário.
A maioria das pessoas, no entanto, não se dispõe a escutar.

Poucos nascem com essa capacidade,
que pode e precisa ser desenvolvida.
Escutar é um ato generoso.
Implica que eu deixe momentaneamente de falar
e esteja aberto para o que o outro tem a dizer.
A escuta é a característica do psicanalista

e também do verdadeiro amigo – que não impõe a sua presença,
não diz o que não deve ser dito e, assim,
faz com que a amizade floresça.
Ou seja, o amigo sabe se conter, exercita-se na ética da contenção.
Por isso, ele é de paz e a sua maneira de ser
pode servir de modelo para todas as outras relações:
marido e mulher, pais e filhos e irmãos.
O que o filósofo e historiador grego Xenofonte

escreveu 2 400 anos atrás poderia ter sido escrito hoje:
"Um bom amigo é o mais precioso de todos os bens.
Está sempre pronto a auxiliar...
Há homens, contudo, que investem toda a sua energia
no cultivo de árvores, para colher frutos,
e são negligentes com o amigo, o bem que mais frutifica".
O amigo vê e ouve o que não somos capazes de ver nem ouvir.
Assim sendo, pode fazer por nós o que não temos como fazer por nós mesmos. Como o analista, ele ilumina o caminho.
Ele sabe suspender o seu desejo para que o do outro se manifeste.

O que ele mais quer é o acordo.
Está menos interessado nos eventuais benefícios materiais
que a amizade pode trazer do que no fortalecimento desta.
Visa sobretudo ao contentamento do outro
e não deve ser confundido com o cúmplice,
que visa ao próprio interesse
e se liga a alguém em função do que almeja alcançar.
O elo de cumplicidade tende a ser efêmero,

enquanto o de amizade é para sempre.
Em outras palavras, o amor dos amigos nunca é de agora,
e sim para a vida inteira.
Também por isso, há milênios a amizade inspira escritores,
que se perguntam de que modo escolher um amigo,
quais as características de um amigo verdadeiro e o que nós devemos a ele.
Os escritores – os melhores, entre eles –
sabem que a amizade nasce espontaneamente,
mas só dará os seus melhores frutos se for cultivada.

Betty Milan - psicanalista e escritora

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Belíssimas!
Para não perder o jeito.............e o amor.....pela poesia!


(...) este tormento Quotidiano;
(....) este lume secreto que nos queima
E que, mesmo apagado ou dominado, teima".


Frustração

Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.

Miguel Torga, in 'Diário XV'

CERÂMICA

COMO APRENDIZ DE CERAMISTA,

PREPARO A EXPOSIÇÃO DO MEU ATELIER, "TERRA E COR" .
AQUI VAI O CONVITE......
BREVE COBERTURA COMPLETA DESDE OS PREPARATIVOS, QUEIMAS,
ATÉ A EXPOSIÇÃO.



CARMEN BASTOS
ATELIER DE CERÂMICA TERRA E COR



Exposição da cerâmica de atelier e dos alunos de 2009.
Dias 11 e 12 de dezembro de 2009 (sexta e sábado),
das 10:00 as 20:00 .
Aproveite para conhecer nosso trabalho e o funcionamento
do atelier, onde se respira arte com a maravilhosa vista
da Baía de Todos os Santos.

Atelier Terra e Cor
Rua Banco dos Ingleses, 20
Clube Inglês da Bahia
Subsolo
Campo Grande
Salvador- Bahia- Brasil
(71) 3337-0823
http://www.atelierterraecor.com/


















segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Ainda é 23/11.............

POEMA DA DESPEDIDA
[Mia Couto]

Não saberei nunca
dizer adeus
Afinal,
só os mortos sabem morrer

Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser
Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo

Não é este sossego
que eu queria,
este exílio de tudo,
esta solidão de todos

Agora
não resta de mim
o que seja meu
e quando tento
o magro invento de um sonho
todo o inferno me vem à boca

Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo.










Itacimirim/Bahia

domingo, 22 de novembro de 2009

REVELAÇÕES...........

Um pouco de mim em 5 revelações

A Teresa,
(http://ematejoca-ematejoca.blogspot.com)
lançou-me o desafio de completar as 5 frases que se seguem:

Eu já tive... muito mêdo de estar só.

Eu nunca...gosto de pensar em "nunca".

Eu sei...que vou te amar, por toda minha vida, eu vou te amar....... (música)

Eu quero...envelhecer com dignidade, sabedoria, elegância e beleza,

cercada de pessoas queridas. (pouco, não é?)

Eu sonho...sempre com o amor, sem ele nada vale a pena!

Mandam as regras indicar que dêem continuidade ao desafio.
Então aqui vão:


http://cravodeabril.blogspot.com
http://ocheirodailha.blogspot.com
http://transatlantico-viajante.blogspot.com
http://ojardimcasa.blogspot.com
http://memoriasvirtuais1.blogspot.com
http://outrostemas.blogspot.com
http://rainhaso.blogspot.com
http://leticia-gabian.blogspot.com
http://olharesdabeira.blogspot.com
"O valor das coisas não está no tempo que elas duram,
mas na intensidade que elas acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."


Os Imutáveis Sentimentos (Lia Luft)

"Quantas vezes podemos amar na vida?
Sempre que nos sentirmos demais sozinhos
e a vida nos oferecer esse milagre, e nós
tivermos as condições e a coragem de concretizá-lo"

A palestra seria para uns 300 empresários, homens e mulheres.
Depois viriam as perguntas e, finalmente, o almoço.
Chegando lá, vi que estava enganada: eu falaria enquanto eles almoçavam.
Escritores habituaram-se a falar em público
– é uma espécie de moda a gente ser convocado para entrevistas ou palestras
sobre os temas mais variados: psicologia, sexo, política, religião e por aí vai.
Mas me incomodou a idéia de pessoas manejando talheres e copos,
mastigando e quem sabe conversando enquanto eu falasse.
Não havia como voltar atrás: a culpa era da minha desatenção,
de não haver entendido direito o convite.
Todos sentados, feitas as apresentações, dados os avisos,
comecei a fala achando que todos percebiam meu desconforto.
O tema da palestra era "Transgressões positivas".
Eu não podia cometer a primeira, levantar da cadeira e ir embora?
Não, não podia. Ninguém tinha culpa da minha trapalhada.
Agora era cumprir meu dever, e fazer isso com a mesma simpatia
com que aquelas pessoas me olhavam.
Transgressão positiva, comecei então, podia ser, por exemplo,
vencer o espírito de manada e a coerção da superficialidade
que nos esmagam neste nosso mundo.
Um pouco de frivolidade é necessária:
que os deuses nos livrem de sermos solenes.
Mas de vez em quando, acrescentei,
pode-se usar a superfície da vida como trampolim para algum mergulho de reflexão,
de reavaliação e quem sabe de reinvenção da nossa vida.
O problema inicial é que estamos acorrentados a muitos deveres,
sobretudo empresários cheios de responsabilidades com funcionários,
operários, acionistas e toda uma complexa engrenagem da qual eu,
escritora, confessava ter apenas uma idéia difusa.
O que era certo era a morte estar empoleirada em nosso ombro,
espiando com seu inquietante olho de coruja:
o que é que a gente podia fazer com tal inquilina?
Talvez a primeira boa transgressão, continuei,
seria aproveitar o susto para pensar.
Falamos muito em ética, mas, com mais freqüência do que o confessável,
escutamos a conversa de nossa mulher ou marido na extensão do telefone.
Falamos em justiça social,
mas eventualmente pagamos o menor salário possível à nossa empregada
e lhe servimos um prato feito.
Segui por esse caminho, num trote pouco amigável – em voz mansa.
De repente me dei conta de que alguns pararam de comer,
mas não se mostravam ofendidos com minhas alusões.
Ao contrário, pareciam compreender que eu me incluía em tudo aquilo.
Entre nós circulava aquela cumplicidade de iguais
a que eu me habituara com leitores,
mas não esperava de homens de negócios.
Terminei a palestra ainda vagamente intrigada, mas as palmas foram cálidas.
Um empresário venerando pediu a palavra.
"Esse vai me trucidar", pensei.
Ele me olhou direto nos olhos e indagou no silêncio atento que se abria:
"Quantas vezes a senhora acha que a gente pode amar na vida?"
Respondi, surpresa:
"Sempre que nos sentirmos demais sozinhos
e a vida nos oferecer esse milagre,
e nós tivermos as condições e a coragem de concretizá-lo".
Senti que, naquele momento,
as palmas foram não para mim, mas para ele.
Para a vida que ali se expressava com tal dignidade.
Saí dessa experiência com mais um dos meus preconceitos destruídos.
Numa dessas contradições animadoras, o que começou mal acabou bem
– principalmente porque um homem
se postou diante de todos com a tranqüilidade dos sábios,
sem receio de enfrentar seus pares,
de se mostrar vulnerável,
de assumir sua real grandeza: a de ser uma pessoa como qualquer outra.
Vi confirmada, mais uma vez,
minha suspeita de que no fundo o que prevalece em todos nós,
centro de nosso desejo e raiz de nossos temores,
nossa glória e possibilidade de nossa danação,
são os velhos e imutáveis sentimentos humanos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

É verão!
Bom sinal!
Já é tempo
De abrir o coração
E sonhar.. (Roupa Nova)

Palavras,
Ditas, bem ditas e pronunciadas,
Mal ditas,
Partidas e idas,
Longe.....
Desejo,
nunca e quando,
Voo infinito sem regresso,
Longe ou perto,
Memórias de ausência,
Idas incompletas,
Olhar ausente,
de mim, de ti.
Oh! dor.





O mar que tanto diz,
Parece maior ainda,
Como posso deixar de amá-lo
Com esse azul infinito........
































ITACIMIRIM (BAHIA)







******************

O balneário de Itacimirim,
que em tupi-guarani significa Formiga Pequena,
encanta pelos rios, mangues, piscinas naturais de águas mornas
e ondas de até três metros de altura.
Cerca de um quilômetro de praias compõem o cenário desse paraíso,
formado a partir de uma vila de pescadores.
Das cinco praias existentes, a primeira é a da Barra,

formada pela foz do Rio Pojuca.
A água doce e morna do rio,
divisor entre os municípios de Camaçari e Mata de São João,
desemboca no mar
e proporciona um local bastante agradável para banho.
Em seguida, vem a praia das Ondas e do Porto.
Mais adiante está a famosa Praia da Espera,

onde o turista pode encontrar corais, na maré baixa,
além de uma excelente oportunidade para mergulho
e observação de várias espécies de peixes.
Entre os meses de dezembro e fevereiro,

pode-se observar a desova das tartarugas marinhas
e no período de agosto a setembro,
o mergulho das baleias Jubarte.
Ainda na Espera,
foi instalada uma escultura em homenagem a Amyr Klink,
navegador paulista que no dia 18 de setembro de 1984
completou uma viagem solitária de mais de 100 dias,
depois de há três meses, ter deixado a África do Sul.
Ele chegou a Itacimirim após ter cruzado o Oceano Atlântico,
em um percurso de aproximadamente 7 mil quilômetros,
em um barco a remo.
Melhor ainda,
ITACIMIRIM fica a apenas 50Km de Salvador
e 7 Km da Praia do Forte.

domingo, 15 de novembro de 2009

AINDA VINICIUS DE MORAIS!!!


Onde Anda Você

E por falar em saudade onde anda você
Onde andam seus olhos que a gente não vê
Onde anda esse corpo
Que me deixou louco de tanto prazer
E por falar em beleza onde anda a canção
Que se ouvia na noite dos bares de então
Onde a gente ficava,
onde a gente se amava
Em total solidão
Hoje eu saio na noite vazia
Numa boemia sem razão de se
Na rotina dos bares,
que apesar dos pesares,
Me trazem você
E por falar em paixão, em razão de viver,
Você bem que podia me aparecer
Nesses mesmos lugares, na noite, nos bares
A onde anda você?

E para quem não viu,fica a indicação:
O filme documentário sobre a vida de Vinicius de Morais.
Um filme de Miguel Faria Jr., que conta a vida,
os amigos e os amores de Vinicius,
autor de 400 poesias e cerca de 400 letras de música.
E na contra capa dos 2 CDS,
o encarte com o "soneto da separação",
presente de profunda poesia.


SONETO DE SEPARAÇÃO

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

"Ai, quem me dera ver-te
quem me dera morar-te..."

"Amar é querer estar perto, se longe;
e mais perto, se perto."

"Ser feliz é viver morto de paixão."

"E de te amar assim, muito a amiúde,
é que um dia de repente hei de morrer de amar mais do que pude."

"E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais..."

"Pra quê chorar, se o sol já vai nascer,
se o dia vai amanhecer.
Pra quê chorar,
se há sempre um novo amor em cada amanhecer".

Eu Sei Que Vou Te Amar

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida"

Samba da Bênção

É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba nã
Senão é como amar uma mulher só linda
E daí? Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste
Feito essa gente que anda por aí
Brincando com a vida
Cuidado, companheiro!
A vida é pra valer
E não se engane não, tem uma só
Duas mesmo que é bom
Ninguém vai me dizer que tem
Sem provar muito bem provado
Com certidão passada em cartório do céu
E assinado embaixo: Deus
E com firma reconhecida!
A vida não é brincadeira, amigo
A vida é arte do encontro
Embora haja tanto desencontro pela vida
Há sempre uma mulher à sua espera
Com os olhos cheios de carinho
E as mãos cheias de perdão
Ponha um pouco de amor na sua vida
Como no seu samba
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Eu, por exemplo, o capitão do mato
Vinicius de Morais,
poeta e diplomata,
O branco mais preto do Brasil
Na linha direta de Xangô, saravá!
A bênção, Senhora
A maior ialorixá da Bahia
Terra de Caymmi e João Gilberto
A bênção, Pixinguinha
Tu que choraste na flauta
Todas as minhas mágoas de amor
A bênção, Sinhô, a benção, Cartola
A bênção, Ismael Silva
Sua bênção, Heitor dos Prazeres
A bênção, Nelson Cavaquinho
A bênção, Geraldo Pereira
A bênção, meu bom Cyro Monteiro
Você, sobrinho de Nonô
A bênção, Noel, sua bênção, Ary
A bênção, todos os grandes
Sambistas do Brasil
Branco, preto, mulato
Lindo como a pele macia de Oxum
A bênção, maestro Antonio Carlos Jobim
Parceiro e amigo querido
Que já viajaste tantas canções comigo
E ainda há tantas por viajar
A bênção, Carlinhos Lyra
Parceiro cem por cento
Você que une a ação ao sentimento
E ao pensamento
A bênção, a bênção, Baden Powell
Amigo novo, parceiro novo
Que fizeste este samba comigo
A bênção, amigo
A bênção, maestro Moacir Santos
Não és um só, és tantos como
O meu Brasil de todos os santos
Inclusive meu São Sebastião
Saravá!
A bênção, que eu vou partir
Eu vou ter que dizer adeus
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração

Chega De Saudade

Vai minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz
Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas, se ela voltar
Se ela voltar que coisa linda!
Que coisa louca!
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos
Que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços, os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calada assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim
Vamos deixar esse negócio
De você viver sem mim...

O que tinha de ser

Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser


Libelo

De que mais precisa um homem
senão de um pedaço de mar
- e um barco com o nome da amiga,
e uma linha e um anzol pra pescar?
E enquanto pescando, enquanto esperando,
de que mais precisa um homem senãode suas mãos,
uma pro caniço, outra pro queixo,
que é para ele poder se perder no infinito,
e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza,
e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito...
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra
_ um pedaço bem verde de terra _ e uma casa,
não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar;
e um jardim - que um jardim é importante - carregado de florde cheirar ?
E enquanto morando, enquanto esperando,
de que mais precisa um homem senão
de suas mãos para mexer a terra
e arranhar uns acordes de violão quando a noite se faz de luar,
e uma garrafa de uísque pra puxar mistério,
que casasem mistério não vale morar...
De que mais precisa um homem
senão de um amigo pra ele gostar,
um amigo bem seco, bem simples,
desses que nem precisa falar
_ basta olhar _ um desses que desmereça um pouco da amizade,
de um amigo pra paz e pra briga,
um amigo de paz e de bar ?
E enquanto passando, enquanto esperando,
de que mais precisa um homem senão
de suas mãos para apertar as mãos do amigo
depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo,
e pra discutir com o amigo
e pra servir bebida à vontade ao amigo ?
De que mais precisa um homem
senão de uma mulher pra ele amar,
uma mulher com dois seios e um ventre,
e uma certa expressão singular ?
E enquanto pensando, enquanto esperando,
de que mais precisa um homem
senão de um carinho de mulher
quando a tristeza o derruba,
ou o destino o carrega emsua onda sem rumo ?
Sim, de que mais precisa um homem
senão de suas mãos e da mulher
_ asúnicas coisas livres que lhe restam
para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo ...


POEMA DOS OLHOS DA AMADA

Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe dos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas era
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.


Soneto de Orfeu

São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música,luar e sentimento
E que a vida não quer, de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua.




Praça Vinicius de Morais
Itapoan, Salvador - Bahia



http://www.youtube.com/watch?v=IcdEJtMZC44&feature=related - Vinicius/depoimentos

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Vinícius de Moraes
Marcus Vinicius da Cruz de Mello Moraes,
ou Vinicius de Moraes, (1913 - 1980) foi um diplomata,
jornalista, poeta e compositor brasileiro.

"A gente não faz amigos, reconhece-os".

"Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido".

"Com as lágrimas do tempo e a cal do meu dia eu fiz o cimento da minha poesia".

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida".

"Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval".

"Quem de dentro de si não sai, vai morrer sem amar ninguém..."

"Por mais longa que seja a caminhada o mais importante é dar o primeiro passo".

Ai de quem ama

Quanta tristeza
Há nesta vida
Só incerteza
Só despedida
Amar é triste
O que é que existe?
O amor
Ama, canta
Sofre tanta
Tanta saudade
Do seu carinho
Quanta saudade
Amar sozinho
Ai de quem ama
Vive dizendo
Adeus, adeus

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

E finalmente ..........................
Quem nunca viveu um grande amor.................

PARA VIVER UM GRANDE AMOR

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso,
muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher;
pois ser de muitas, poxa! é de colher...
— não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro
e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for.
Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada
e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo",
que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor.
É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado,
pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade
de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor.
Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade,
dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel,
ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito;
é preciso também ter muito peito — peito de remador.
É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada
e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista
— muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor.
Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo;
depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos,
strogonoffs — comidinhas para depois do amor.
E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha
com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser,
se possível, um só defunto — pra não morrer de dor.
É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente,
pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor.
Há que ser bem cortês sem cortesia;
doce e conciliador sem covardia;
saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!)
e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada
não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor










Salvador- Bahia
(Ondina)

domingo, 8 de novembro de 2009

Tenho os olhos cansados de olhar para o além......
E a esperança no futuro!

Samba em preludio
(Baden Powell e Vinicius de Moraes)


Eu sem você não tenho porquê
Porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz, jardim sem luar

Luar sem amor, amor sem se dar
Eu sem você sou só desamor
Um barco sem mar, um campo sem flor
Tristeza que vai, tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Eu sem você não tenho porquê
Porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz, jardim sem luar
Luar sem amor, amor sem se dar
Eu sem você sou só desamor
Um barco sem mar, um campo sem flor
Tristeza que vai, tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus
Teus abraços precisam dos meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém


http://www.youtube.com/watch?v=I67Qmye5OYY&feature=PlayList&p=198291CA6618E48B&playnext=1&playnext_from=PL&index=30

sábado, 7 de novembro de 2009

Miguel Torga para amigos...


"A vida afectiva é a única que vale a pena.
A outra apenas serve para organizar na consciência
o processo da inutilidade de tudo"


Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...
in 'Diário VII'



Frustração

Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.