quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

CLARICE,

Mais uma indicação de leitura!

Dificil é deixar de lado a leitura de Clarice.


Com o título Clarice, (lê-se “Clarice vírgula”),
a Cosac Naify publica a mais completa biografia de Clarice Lispector,
escrita pelo norte-americano Benjamim Moser.
Resenhada com destaque pela imprensa estrangeira,
como o jornal The New York Times e a revista The Economist,
a obra revela, pela primeira vez, aspectos fundamentais na trajetória da escritora,
desde a origem miserável e violenta na Ucrânia –
para onde o autor viajou – ao reconhecimento crítico.
A partir dessa pesquisa inédita,
Moser tece relações entre a vida e a obra da brasileira
– assim fazia questão de ser reconhecida – numa narrativa envolvente.
O livro tem aberto os olhos internacionais
para a literatura de Clarice Lispector, até agora restrita a alguns meios.
(Sinopse saraiva)
"queria de ti um país de bondade e de bruma
queria de ti o mar de uma rosa de espuma!"
Mário Cesariny


Belíssimo!

Queria também de ti um BRASIL,
onde a liberdade de ir e vir fora exercida, enfim,
Um dia.
Queria de ti o mar de uma rosa,
Além de espuma, de sol e de contentamento.
Queria de ti o que queremos todos,
Justiça, ética e liberdade



Salvador/Bahia
Para os amigos,
Especialmente para o meu amigo "Zé",
ele certamente saberá............

Se você não se distrai ...

Se você não se distrai
O amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai
A estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce
A lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço armadilha
Se você não se distrai
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não ri de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
a fúria da tempestade
Hoje eu vou brincar
De ser criança
E nessa dança quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu
Chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Olhando o céu
Chutando lata
Hoje eu quero encontrar você ...
(Zélia Duncan e Christiaan Oyens)

http://www.youtube.com/watch?v=5tiR7A-4_J4

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Encontrei exatamente a mensagem em forma de poema,
ou quem sabe o poema em forma de mensagem,
aquele que fala de liberdade e desejo,
que fala do reconhecimento a si mesmo,
com ética e lucidez!
Especialmente para Tania, amiga de muitas horas!


RECOMEÇA
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

MIGUEL TORGA

sábado, 2 de janeiro de 2010


Mais uma vez volto a poesia de Sophia de Mello Breyner Andersen.
Cada releitura, uma surpresa e uma descoberta.
Gostaria muito de ler uma biografia sobre ela,
não sei se há. Vou a busca e depois conto.

Encontrei uma página no jornal brasileiro "A Folha de São Paulo",
onde tem a notícia de sua morte,
e onde descubro mais desta mulher forte e apaixonda,
pela vida, pelas causas, pelo país e pela poesia.

05/07/2004 - 09h29
Sophia de Mello Breyner deu vigor à poesia sobre o homem moderno

MANUEL DA COSTA PINTO

Colunista da Folha de S.Paulo

A escritora portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen
-que morreu na última sexta-feira em Lisboa, aos 84 anos-
pertencia à primeira geração de poetas que surgiram
à sombra incomensurável de Fernando Pessoa
e sob o impacto do grupo Presença
(que consolidou o modernismo em Portugal).
Isso equivale a dizer que a autora de livros como "Mar Novo" (58)
e "O Nome das Coisas" (77) deu continuidade e vigor
a uma poesia marcada pela indagação metafísica
sobre a condição problemática do homem moderno.
Porém, ao contrário de muitos daqueles autores,
que associavam a experiência de choque da modernidade
ao prosaísmo e ao sarcasmo,
Sophia imprimiu em sua poesia um tom mais solene,
em que o ofício da escrita equivale à busca do absoluto
-sem contudo se divorciar do mundo concreto,
mas buscando nas coisas elementares um tipo de sacralidade.
Como escreveu o crítico Eduardo Lourenço,
"quando se aproxima das coisas e avidamente procura "sempre" mais coisas,
não é apenas o real que pretende alcançar,
mas sobretudo a aliança primitiva (...),
a ordem simbólica onde esse real adquire sentido e verdade.
Entre a ordem simbólica e a aliança, a identidade é absoluta".
Nascida no Porto, contemporânea de nomes igualmente importantes
como Jorge de Sena, Eugénio Andrade, Mário Cesariny
e Alexandre O'Neil, manteve diálogo não só com Pessoa
(principalmente a partir de "Dual", de 72),
mas também com as celebrações órficas de Hölderlin e Rilke.
De certo modo, como observou a ensaísta Clara Rocha,
a obra de Sophia pode ser vista como uma longa
e fragmentária resposta ao célebre verso de Hölderlin:
"Para que poetas em tempo de indigência?".
Seus livros correspondem à busca de uma espécie de graal da linguagem,
de um mundo e um tempo utópico, fechado em si mesmo,
anterior à separação entre deuses e homens,
essência e substância, ser e ente:
"Exilamos os deuses e fomos/ exilados da nossa inteireza".
Ao mesmo tempo, por trás dessa nostalgia
de uma Idade do Ouro da poesia
há a consciência crítica que detecta
as causas do desencantamento do mundo no "capitalismo das palavras"
e nas "hidras de mil cabeças da eficácia que se avaria"
-ou seja, na transformação do homem
e da linguagem em utensílios tecnológicos.
Tal obra, entretanto, não se limita à poesia.
Além de ser autora de livros de ficção e infanto-juvenis,
Sophia também manteve um importante trabalho de reflexão
sobre a literatura, como na série de aforismos "Arte Poética",
no ensaio "O Nu na Antigüidade Clássica" ou em artigos,
como o que dedicou em 1958 à poeta Cecília Meireles
-não por acaso, a escritora brasileira que mais se aproxima
de sua procura de um lirismo essencial.
Soma-se a essa produção uma prosa que traz ecos do surrealismo,
como "Contos Exemplares", cujo título alude explicitamente
às "Novelas Exemplares" de Cervantes
e no qual encontramos parábolas sobre o embate
entre o Bem e o Mal ("O Jantar do Bispo")
ou sobre a reaparição de Cristo, que passeia despercebido
pelas ruas do Porto ("O Homem").
Esses contos representam parcela menor
na literatura de Sophia de Mello Breyner Andresen,
mas ajudam a entender, pelo tom alegórico,
o conjunto dessa obra que recebeu em 1999
o Prêmio Camões, mais importante honraria da língua portuguesa.

"Destróis todas as pistas que nos salvam
Tapas os caminhos que vão dar a casa
Cobres os vidros das janelas
Recolhes os cães para a cozinha
Soltas os lobos que saltam as cancelas
Pões guardas atentos espiando no jardim
Madrastas nas histórias inventadas
Anjos do mal voando sem ter fim
Destróis todas as pistas que nos salvam
Depois secas a água e deitas fora o pão
Tiras a esperança
Rejeitas a matriz
E quando já só restam os sinais
Convocas devagar os vendavais
Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem"


Sophia de Mello Breyner Andresen










Porto, maio/2009

Exatamente onde nasceu Sophia,
em 1919.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Quando a dor é tão grande,
que não há remédio sequer!


"Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas".
Sophia de Mello Breyner Andresen




JANEIRO DE 2010

O luar foi dos mais lindos e claros que já vi.
O mar era banhado por tanta luz,
que a areia prateada e úmida doia-me no coração,
trazendo lembranças do passado,
delicadas reminiscências.
No meu passado, silencioso estás,
Frio, gelado, preso em armadilhas.
A esperança retorna,
Outros caminhos existirão,
Certamente!


Eram 4:50 quando a claridade foi suficiente
para que eu fizesse estas fotos do luar.
Por melhor que estejam,
não fazem jus aquele espetáculo no céu.