sábado, 15 de maio de 2010

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Assim como homenageio a Vinicius, Mario, Adélia, Chico, Cora, e tantos outros,
gosto de escrever e falar do que aprecio,
da poesia simples e cristalina,
da palavras que tanto me emocionam.
Parabéns Maria!
www.ocheirodailha.blogspot.com

Os dias do verbo amar

Sei dos caminhos enviezados da vida
que lentamente se desfazem no mar
dos dias sim da alegria vivida
dos dias não que teimam em não cessar
Mas já não sei dos dias do verbo amar
Sei dos escolhos que a vida nos oferece
que lentamente se desfazem no mar
das ausências que a solidão tece
e das certezas que nos fazem sonhar
Mas já não sei dos dias do verbo amar
Sei das noites amargas sem o toque da pele
que lentamente se desfazem no mar
dos corpos cansados do amor e do mel
e das lágrimas que saltam do meu olhar
Porque já não sei dos dias do verbo amar.

A CERÂMICA, UMA ARTE MAIOR!

MOSTRA DIA DAS MÃES - ATELIER TERRA E COR

"E o amor não acontece porque a pessoa se esforça.
Muito pelo contrário, ele surpreende.
E é através da surpresa que nós nos renovamos.
É possível que Picasso tenha vivido mais de 90 anos em boa forma
por ter se deixado surpreender a vida inteira pelo próprio trabalho,
ter se entregado continuamente às suas experiências artísticas.
Apropriou-se da arte grega, da escultura pré-romana
e das artes primitivas para reinventar a própria arte e se renovar.
Depois, rompeu com a representação realista da forma humana
e criou o cubismo.
Sua obra foi a maior empresa de destruição e criação de formas da nossa época".
(Betty Milan)






































































































































































































































terça-feira, 11 de maio de 2010

PARTILHANDO VINICIUS COM O MUNDO!

Toda a poesia de Vinicius de Moraes - Blog da FLIPMaio 10, 2010

Esse é o título da iniciativa da Biblioteca Brasiliana
da Universidade de São Paulo, que colocou na internet
a poesia completa de Vinicius de Moraes.
A biblioteca, feita a partir do acervo doado pelo bibliófilo José Mindlin,
está atualmente em processo de total digitalização.
A bola da vez foi o poeta, que viveu entre 1913 e 1980,

e foi um dos nomes mais significativos
da vida cultural brasileira do século 20.
O projeto só foi possível devido à liberação dos direitos autorais
pela família de Vinicius de Moraes.
Os 15 livros digitalizados são: "O caminho para a distância" (1933),

"Forma e exegese" (1935), "Ariana, a mulher" (1936),
"Novos poemas" (1938), "Cinco elegias" (1943),
"Poemas, sonetos e baladas" (1946), "Pátria minha" (1949),
"Orfeu da conceição" (1956), "Livro de sonetos" (1957),
"Receita de mulher" (1957), "Novos poemas II" (1959),
"Antologia poética" (1960) (1ª ed. 1954), "O mergulhador" (1968),
"A casa" (1975) e "Um signo, uma mulher" (1975).
Vai
.

http://www.brasiliana.usp.br/node/455

sábado, 8 de maio de 2010

"Nunca é igual
se for bem natural
se for de coração
além do bem e do mal
coisas da vida. . .”
Milton Nascimento / Fernando Brand









Por do sol
Baia de Todos os Santos
(Salvador/Bahia/Brasil)

domingo, 2 de maio de 2010

PORTO

PORTO , PARTO,
PARTIDA,
OU PERMANEÇO,
ESTIVE, ESTOU,
ONDE ESTAREI?
LEMBRANÇAS, OUTRORA,
TEMPO DEIXADO,
ARRANCADO, MARCADO,
ONDE FIQUEI, FUI,
OUTRA LEMBRANÇA,
DEIXEI,
PARTI.



Impossível esquecer o Porto,
Impossivel esquecer lembranças,
Quase só,
Impossível mesmo partir,
Ribeira, Vila Nova de Gaia,
O caís, o rio, os barcos,
A grama, o correr nas pedras antigas,
Paralepípedos,
Impossível esquecer o Porto do ano atrás,
Impossível lembrar sem emoção,
Saudadear!
Sentar no caís, correr apressada,
olhar as pontes e ter mêdo de partir....
Porto















Descobrindo Douro

quinta-feira, 22 de abril de 2010

A ARTE DE CONVERSAR

Tênis e Frescobol - Rubem Alves

Depois de muito meditar sobre o assunto
concluí que os relacionamentos são de dois tipos:
há os do tipo 'tênis' e há os do tipo 'frescobol'.
Os relacionamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos
e terminam sempre mal.
Os do tipo frescobol são uma fonte de alegria
e têm a chance de ter vida longa.
Explico: para começar, uma afirmação de Nietzche,
com a qual concordo inteiramente.
Dizia ele: 'Ao pensar sobre a possibilidade do casamento
cada um deveria se fazer a seguinte pergunta:
'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa
até sua velhice?Tudo o mais no casamento é transitório,
mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas
sobre a arte de conversar.'

Scherazade sabia disso.
Sabia que os relacionamentos baseados nos prazeres da cama
são sempre decapitados pela manhã, e terminam em separação,
pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente.
Há os carinhos que se fazem com o corpo
e há os carinhos que se fazem com as palavras.
E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes,
fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: 'Eu te amo...'.
Barthes advertia: 'Passada a primeira confissão,
'eu te amo' não quer dizer mais nada.
'É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra,
não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética.
Recordo a sabedoria de Adélia Prado: 'Erótica é a alma'.
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola.
Joga-se tênis para fazer o outro errar.
O bom jogador é aquele que tem a exata noção
do ponto fraco do seu adversário,
e é justamente para aí que ele vai dirigir sua cortada
- palavra muito sugestiva - que indica o seu objetivo sádico,
que é o de cortar, interromper, derrotar.
O prazer do tênis se encontra, portanto,
justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar
porque o adversário foi colocado fora de jogo.
Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca.
Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito
e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa,
no lugar certo, para que o outro possa pegá-la.
Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado.
Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha.
E ninguém fica feliz quando o outro erra,
pois o que se deseja é que ninguém erre.
O erro de um, no frescobol, é um acidente lamentável
que não deveria ter acontecido,
pois o gostoso mesmo é jogar pra sempre...
E, o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado.
Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo
em que ninguém marca pontos...
A bola: são nossas fantasias, irrealidades,
sonhos sob a forma de palavras.
Conversar é ficar batendo sonho prá lá, sonho prá cá...
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis.
Ficam à espera do momento certo para a cortada.
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo,
arrebentá-lo, como bolha de sabão...
O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento.
Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo
que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho,
é coisa delicada, do coração.
O bom ouvinte é aquele que, ao falar,
abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres.
Bola vai, bola vem-cresce o amor...
Ninguém ganha, para que os dois ganhem.
E se deseja então que o outro viva sempre,
eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...