sábado, 14 de fevereiro de 2009

O ATELIER, O TRABALHO, O PRAZER, A PARCERIA, O AMOR PELO BARRO.....................


Carmen e Gleice, mãos na massa todos os dias.
Mãos que moldam o barro, fazem a cerâmica,
e também moldam uma amizade.
Amizade, parceria, carinho, cuidado,
intimidade, delicadeza, confiança,
Grande amizade!

Amigo, Um Ensaio

Difícil querer definir amigo.
Amigo é quem te dá um pedacinho do chão,quando é de terra firme que você precisa,
ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta.
Amigo é mais que ombro amigo, é mão estendida,
mente aberta, coraçao pulsante, costas largas.
É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu.
É aquele que cede e não espera retorno,
porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realimenta,satisfaz.
É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você.
É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.
É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar,
a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir".
É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas aguas agitadas.
É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia.
É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.
Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp,
acompanhasuas vitórias, faz piada amenizando problemas.
É quem tem medo, dor,náusea, cólica, gozo, igualzinho a você.
É quem sabe que viver é ter história pra contar.
É quem sorri pra você sem motivo aparente,
é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos.
É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.
Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não,
pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas.
É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligaçao é caótica,
com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos.
Amigo é multimídia.
Olhos.... amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática.
É aquele que percebe em seus olhos seus desejos,seus disfarces, alegria, medo.
É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir
aquele tao esperado brilho no seu olhar,
e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos
estao amplificando tristeza interior.
É lua nova, é a estrela maisbrilhante,
é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.
Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação:
amigo é quem te ama "e ponto".
É verdade e razão, sonho e sentimento.
Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.
(Marcelo Batalha)




















































































Dedico a quem como eu, acredita que cavalos podem voar,
que oceanos podem se transformar em pequenos rios,
que a vida é construída dia a dia,
e que o amor é imprescindível!


O seu cavalo pode voar...



Um poderoso rei condenou um humilde súdito à morte.
O homem, prestes a ser executado, propôs e teve a concordância do rei,
permiti-lo ensinar o cavalo real a voar.
Caso não conseguisse, no prazo de um ano, então sua sentença seria cumprida.
Por que adiar o inevitável? Perguntou-lhe um amigo.

Não é inevitável, ele respondeu: as chances são quatro a um a meu favor.
Dentro de um ano: o rei pode perder o trono;
eu posso fugir;
o cavalo pode fugir
e eu posso ensinar o cavalo a voar.

Mesmo que tudo indique o contrário, creia: o seu cavalo pode voar!



















O PRIMEIRO ENCONTRO
Affonso Romano de Sant'Anna (poeta mineiro)
Iam se encontrar como se fossem a um campo de tulipas.
Iam se encontrar como o equilibrista em cima de um fio,
longe do chão, sem rede de amparo.
Iam se encontrar como um navegante, um desbravador,
chegando a um continente desconhecido e desejado.
Então, já que iam se encontrar começaram a se preparar
como só se preparam as ondas quando à areia vão chegar.
Puseram-se a pré-sentir o momento do encontro,
intensificando os sinais trocados como o piloto emite sinais de aproximação atento ao radar.
Este não era um encontro qualquer, senão o primeiro.
E o primeiro encontro, eu lhes digo, exige arte maior.
Por isto, sendo adultos, pareciam ter dezesseis anos,
ou qualquer idade em que o primeiro encontro se dá.
Imaginem um ansioso casal de namorados que a cada ponto da estrada,
a cada quilometro que cada um avançasse na direção um do outro,
parasse para telefonar, mandar telegrama, ou qualquer tipo de aceno eletronico ou primitivo,
acenos ou sinais que indicassem veja, avancei tantos metros-e-quilômetros,
estou mais próximo, em breve vou te tocar.
Sabe aqueles casais que quando se separam ao viajar largam pelas gavetas do outro,
em meio às roupas do outro, nos seus cadernos e agendas uma porção de recados amorosos,
para que a parte que ficou povoe de ternas lembranças a ausência deixada?
Pois os que vão ao primeiro encontro também querem pavimentar o caminho do encontrar.
E nisto às vezes aplicam tal esmero,
que até parece que estão mais interessados no pré-encontro que no encontrar.
Eles têm algo secreto que ninguém vai detectar.
Na verdade, se parecem a essas galáxias que avançam a trezentos mil quilometros por segundo ao nosso encontro, e nem por isto são notadas pelos simples mortais.
Eles dialogam com o invisível e com o imponderável.
Com a alma silvestre, colhem flores inexistentes no asfalto e veêm ternura na rispidez dos edifícios.
Não pisam o chão dos demais.
Na verdade, caminhavam já noutra dimensão.
A carga do primeiro encontro, eu lhes digo, às vezes é quase insuportável.
Só quem tem asas de anjo pode transportá-la.
Aqueles que estão indo para o primeiro encontro tomam tenso e milimétrico cuidado.
Continuam colhendo tulipas, estudando a carta de marear e equilibrando-se no abismo.
Mas sabem que o primeiro descuido pode desvia-los do que seria a colheita das primícias.
O desejavel é que o primeiro encontro fluísse com a naturalidade que só tem aqueles que já se encontraram cem vezes.
Mas para se encontrarem cem vezes, eles sabem, é necessário transpor, construir esse primeiro e incontornável encontro.
O poeta dizia que a vida é a arte do encontro embora haja tantos desencontros.
Pois há também a sutil arte do primeiro encontro.
E o primeiro encontro é tão complexo e interminável,
que devemos admitir que ele pode se dar do décimo quinto encontroou trinta anos depois.
Podem , estranhamente, os desencontros anteriores terem sido o esboço do autêntico encontro,
que quando ocorre é ineludível.
O ideal é que todo encontro fosse o primeiro encontro.
E que se parecesse àquela coisa dos andróginos,
aquelas duas partes de um ser que andaram se buscando exiladas por aí,
até que um dia se abraçaram, se fundiram para nunca mais.
Quando uma pessoa parte para o primeiro encontro em vão vai se indagando:
"Que presente te dar?".
Todos os presentes parecem precários, fugazes, imcompletos.
Porque é imensurável o que cada um quer receber e o quanto se quer dar.


E já disse Pablo Neruda:
"E aquela vez foi como nunca e sempre: vamos ali onde não espera nada e achamos tudo o que está esperando".


AO ABRAÇO!


Se tu viesses ver-me... (Florbela Espanca)


Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Vôo impossível

Estavam conversando dois homens. Um estava muito triste por não conseguir atingir seus objetivos e irritava-se com o outro que insistia em lhe dizer que nada era impossível de se conseguir.

Num momento, o homem triste resolveu encerrar aquela discussão, dando argumentos completamente irrefutáveis.
Disse ele:
Tudo bem, nada é impossível? Então me diga, por acaso existe a possibilidade de, por exemplo, um homem levantar vôo?
Claro que existe, para que existem os aviões? - respondeu serenamente o amigo.

O outro riu sarcasticamente e disse:
Tá, mas aí vai precisar da ajuda dos motores. E sem a ajuda dos motores?

A resposta veio imediata:Asa delta.
Um tanto nervoso, o homem triste insistiu:
Mas aí você está precisando de asas e de um lugar alto.

E se eu não puder fazer nada disso?
A resposta veio mais rapidamente do que antes:Balão de ar quente.
Já vermelho de raiva, o homem bateu na mesa e disse:
Mas supondo que eu não tenha um balão, nem asa delta, nem avião, nem nada.

Sair voando por si próprio, é possível, heim?
O outro homem pensou por uns dois segundos e disse:
Bom, numa zona de gravidade baixa, pode-se praticamente voar.

Ou num túnel de vento, ou com uma roupa magnética contra uma plataforma magnética de mesma polaridade.
O homem triste se enfureceu, levantou-se, bateu na mesa e disse:
Mas e se eu não tiver nada, nada disso?
O outro pensou, pensou, pensou por um longo tempo e respondeu, com a mão no ombro de seu amigo:
Pelo que vejo, seu objetivo não é voar.

É arranjar todo o tipo de obstáculos e desculpas possíveis para que não se consiga levantar vôo...



" Certamente todas as distâncias poderão ser encurtadas, sempre, pois o que move o homem é o seu desejo".





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

"ALUNOS QUERIDOS", sem eles nada seria como é..............nem eu tão pouco!

































































































Mandei uma mensagem de feliz natal 2008 para meus queridos alunos,
e tive muita vontade de reproduzí-la aqui, pois enviei junto um texto de uma colega ceramista,
que achei maravilhoso.

Queridos Amigos e Alunos Amigos,

Todos os anos quando estamos perto do final do ano, ponho-me a refletir
sobre o que gostaria de dizer para aqueles que estiveram tão próximos a mim
e com os quais tenho compartilhado grande parte da minha vida.
Penso que por serem pessoas tão especiais e com as quais aprendo dia após dia,
merecem que lhes deseje o melhor possível.
Li um texto extremamente simples, porém muito profundo,
e que concluí ser parte do que gostaria de dizer para todos,
principalmente aos meus amigos alunos, pois fala de uma rotina do qual fazemos parte,
mesmo que as vezes nem atentemos para isso.
A autora, ceramista também por paixão, fala do encontro consigo mesmo (con uno mismo),
sem o qual a nossa vida não tem sentido, um encontro que nos permite sermos éticos
e verdadeiros consigo próprios, possibilitando-nos exercer a verdadeira liberdade.
Quem se debruça sobre a própria história tem mais recursos para viver.
Feliz Natal e que 2009 traga-nos a capacidade de reinventar a ternura, o amor, e a possibilidade da descoberta, da supresa, do novo, pois é através deles que nos renovamos sempre.
Um grande abraço,
Carmen Bastos/ Atelier Terra e Cor
www.atelierterraecor.com


"Modelando un hombre nuevo"

En la actualidad no hay lugar para un instante de reflexión interna.
Pareciera que los tiempos acelerados y las corridas urbanas dificultan el encuentro con Uno Mismo.
El trabajo con las manos es lo más parecido a ese Encuentro.
Al modelar se puede vivenciar "el tiempo del no-tiempo",
en donde el artista se sumerge en un mar de formas, colores, texturas,
la mente se aquieta de pensamientos...
y ahí es donde aparece: La creación en el silencio.
En el encuentro creativo, el silencio, nos muestra imágenes propias,
ellas son las que nos rescatan y revalorizan como seres humanos.
La arcilla nos permite entender que todo tiene un tiempo, que aunque nuestro pensamiento vaya más rápido que la pieza a la que estamos dando vida, no lograremos nada.
El agua, el aire, el sol, el fuego, todo tiene su tiempo,
cualquier cosa que intente acelerarlo, hará que el proceso se quiebre,
y nada llegue a buen término.
Este material tan simple, nos enseña como hombres
a entender los tiempos de> la naturaleza, sabios tiempos...
En el taller trabajamos en armonía con este ritmo natural generando un espacio a la reflexión y a la creatividad, que es hoy por hoy la única respuesta a este vacío generalizado.
Hay que dar lugar a la expresión, y al entendimiento de que todo está a nuestro alcance.
La arcilla, el agua, el horno, todo puede ser hecho por nuestras manos sin necesitar de algún sistema .
Al construir nos reconstruimos como hombres.
Esta es a propuesta para los tiempos actuales, modelar un hombre nuevo,
que se autosustente, y se reconstruya junto a su arte.
Un viejo lema inca dice: "ancha sumaj puku, Pachaman allin ñan"
Una hermosa vasija es el mejor camino hacia Pacha"
María Laura Galeotti