sábado, 26 de setembro de 2009


"Mesmo sem naus e sem rumos,
mesmo sem vagas e areias,
há sempre um copo de mar
para um homem navegar".


Jorge de Lima





sexta-feira, 25 de setembro de 2009

PRIMAVERA

Espero florescer,
Brotar,
Nascer,
Renascer.
Entrega
Bem devagar,
Como o primeiro verão,
Por do sol,
Emoção.


Quero surpreender-me, sempre,
Assim como hoje surpreendi-me com o por do sol.
Morno, suave, início de primavera
Fala de espera,
esperanças,
Do por que estar a chegar,
Anunciando o fim do dia,
Início de alvorecer!
carmen bastos









CHEGA BEM DEVAGAR...............






































































quinta-feira, 24 de setembro de 2009

PARTIDA...........

Vais,
Partes,
Deixa-me.
Vão rapidos os dias,
Como eu, voam, volta
Afastam-se do mar, das dores, das saudades.
Reconheço ausências,
Faltas, momentos gastos,
Perdidos.
Nada era meu,
Nem meu eras, quando eu mais pensava,
Eras teu, apenas.
Amor, ternura, engano e solidão,
Fugas diárias e mêdo,
Voo errante na imensidão,
Mergulho no oceano, escuridão.








Em Parati,
descobri perdido meio ao mar,
lembrei do que não foi..........
Mas invadiu-me a poesia,
Inevitável pensar!



"E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada......." (Chico Buarque)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

FFCH - Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
da Universidade Federal da Bahia

De 1971 a 1973, o curso de Psicologia da UFBa. funcionou
no prédio da Faculdade de Medicina da Bahia,
onde vivíamos cercados de "beleza", "história" e "tradição".

A seu modo, o imenso prédio rosa é também um templo. Essa analogia não passou desapercebida ao Vice Presidente do Instituto Bahiano de História da Medicina e Ciências Afins, professor Antonio Carlos Nogueira Britto, que assim concluiu a conferência que fez no Anfiteatro Alfredo Britto no dia 18 de fevereiro de 2003, por ocasião da comemoração dos 195 anos de Ensino Médico na Bahia:

"Atentai, ó vós que estais a pisar este chão.
Este chão é sagrado.
Este chão, este solo, esta terra são ungidos, são consagrados, são abençoados pelos deuses da Medicina.
Este é o chão do Santuário da Medicina primaz do Brasil."


Os trabalhos da memória fizeram do edifício do Terreiro de Jesus
um templo do saber médico e da ciência no Brasil.
Ali, antes da expulsão dos jesuítas de Portugal e suas colônias,
ficava o Colégio da Companhia de Jesus e nele,
já transformado em Hospital Real Militar da Bahia,
instalou-se por Decisão Régia de 18 de fevereiro de 1808
a Escola de Cirurgia da Bahia, primeira escola médica do Brasil.
Em 1816 se transformaria na Academia Médico-Cirúrgica da Bahia
para tornar-se, em 1832, a Faculdade de Medicina da Bahia,
em 1891 a Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia,
volta a ser em 1901 a Faculdade de Medicina da Bahia (fotos 5, 6, 7 e 8) e,
quando as Universidades passaram a aglutinar as faculdades isoladas,
tornou-se a Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia, em 1946,
até chegar a hospedar, em 1965, algumas dependências
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia.
Mais veja:
http://www.historiaecultura.pro.br/cienciaepreconceito/lugaresdememoria/faculdadedemedicinadabahia.htm

Ano de 1971, março talvez, ontem.
Ano de 2009, setembro, certamente, hoje.
Fechamos os olhos,
ouvimos memórias, risos,
alegrias, tristezas,
as vezes dores, saudades,
o tempo ali, parado.
Onde estamos?
Onde estão passo ante passo os momentos?
Guardados.
Momentos, nossos!
Carmen Bastos


Depois de tudo

Mas tudo passou tão depressa
Não consigo dormir agora.
Nunca o silêncio gritou tanto
Nas ruas da minha memória.
Como agarrar líquido o tempo
Que pelos vãos dos dedos flui?
Meu coração é hoje um pássaro
Pousado na árvore que eu fui.
Cassiano Ricardo(1895-1974)


Prédio da Faculdade de Medicina,
da Universidade Federal da Bahia, Terreiro de Jesus.





Tania, Carmen e Regina, nas corredores,
os mesmos de 1971.
Falta Alice, que dividiu conosco esses momentos!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Henry Moore
LA TRAVIATA - ALBA

BELÍSSIMA!!!!!!!!!!!

"AMOR É PALPITAÇÃO DO UNIVERSO INTEIRO......." (La traviata)

Clássico do repertório internacional
e uma das óperas mais apresentadas no mundo,
La Traviata, de Guiseppe Verdi, ganha nova montagem baiana,
realizada pela Associação Lírica da Bahia (ALBA).
O espetáculo leva ao palco do Teatro Castro Alves mais de 150 artistas,
entre cantores da ALBA e do Madrigal da UFBA,
bailarinos da Escola de Dança da Funceba
e músicos da Orquestra Sinfônica da Bahia, que, na sua formação completa,
vai executar uma das mais conhecidas e prestigiadas partituras operísticas.
O elenco conta ainda com oito solistas convidados,
sendo que os três principais - Marcos Paulo (RJ),
Leonardo Neiva (SP) e Lilian Assumpção (MG)
- estão entre os intérpretes de ópera mais requisitados do país
e em projeção internacional.
As apresentações de La Traviata acontecem nos dias 10, 12 e 14 de setembro, às 20h.
Patrocinada pelo Governo do Estado da Bahia e Secretaria da Cultura,

através do Fundo de Cultura da Bahia,
a nova encenação marca o retorno da ALBA à montagem de grandes óperas
e à parceria bem-sucedida com a Da Rin Produções Culturais.
O espetáculo também volta a reunir dois tarimbados nomes no segmento,
o maestro Pino Onnis e o diretor Francisco Mayrink (MG).
Eles retomam uma colaboração mútua que,
ao longo dos 27 anos de realizações da ALBA,
já ofereceu ao público baiano a oportunidade de conferir óperas
em montagens com reconhecido nível de qualidade artística e técnica,
a exemplo de Madama Butterfly (Puccini), Il Trovatore (Verdi)
e Cavaleria Rusticana (Pietro Mascagni).
Inspirada no célebre romance A Dama das Camélias, de Alexandre Dumas,

lançado em 1848, La Traviata levou para o palco, apenas quatro anos depois,
uma história que causou polêmica à época,
por representar uma atitude de protesto contra o puritanismo da sociedade parisiense.
Execrada na estreia, a ópera só conquistou reconhecimento e prestígio posteriormente
e hoje é tida como um dos marcos inovadores
na carreira do compositor do período romântico italiano.
Dividida em quatro atos e como libreto original de Francesco Maria Piave,

a ópera narra a dramática paixão entre uma prostituta e um jovem aristocrático,
refletindo também as transformações socioeconômicas
e comportamentais pelas quais a França e a Europa passavam.
A história de amor entre uma mulher mundana e um rapaz da corte
tem emocionado o público há mais de um século e meio.

Ouça o brinde:

http://www.youtube.com/watch?v=zRvNL-A9gGs&feature=PlayList&p=0902DB22963899AC&index=14&playnext=2&playnext_from=PL

Justamente em 1982 "La Traviata" foi a primeira ópera apresentada pela Alba.
Lembro que foi a responsável pelo meu gosto pela ópera e pela admiração aos grandes tenores e sopranos. De Plácido a Carrera, Pavarotti, Mont serrat e outros.
Por isso, foi a escolhida para comemorar os 25 anos de fundação da ALBA na Bahia.

Brilha mais uma vez a ALBA, embora me fez falta ouvir Luciano Fiúza, que foi homenageado no final.
Que venham outras montagens!
Carmen Bastos
PORTUGAL !!!!!!!!!!!

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas,
celebrado a 10 de Junho,
é o dia em que se assinala a morte de Luís Vaz de Camões em 1580,
e também um feriado nacional de Portugal.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Salvador - Bahia

A VINÍCIUS DE MORAIS, ninguém melhor que ele fala do amor!
A Carlos por apreciá-lo com profundidade.
Ponho aqui os meus poemas preferidos, representando todos.
Ponho aqui a canção que queria compor,
e que tantas vezes me emocionei ao cantar,
composta por Vinicius e Tom Jobim.

Eu Sei Que Vou te Amar

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
Em cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente, eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Prá te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que esta ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
OUÇA-A e emocione-se como eu:


Soneto do Amor Como Um Rio
Este infinito amor de um ano faz
Que é maior do que o tempo e do que tudo
Este amor que é real, e que, contudo
Eu já não cria que existisse mais.
Este amor que surgiu insuspeitado
E que dentro do drama fez-se em paz
Este amor que é o túmulo onde jaz
Meu corpo para sempre sepultado.
Este amor meu é como um rio; um rio
Noturno, interminável e tardio
A deslizar macio pelo ermo...
E que em seu curso sideral me leva
Iluminado de paixão na treva
Para o espaço sem fim de um mar sem termo.

Sinto-me só como um seixo de praia
Vivendo à busca no cristal das ondas,
Não sei se sou o que não sou. Pressinto
Que a maré vai morar no fundo d’alma.

Calo-me sempre se te escuto vindo
Marulho de incerteza e de agonia;
Há crenças deslizando nos meus traços,
Molhando a estátua do meu sonho antigo.

Declino-me nas frases dos rochedos
Nas pérolas de som do inesquecer
Na incrível sombra da montanha adulta.

E ao me curvar ao peso da memória,
Descubro meu reflexo obscuro
Num soneto de espumas inexatas.

Soneto do Amor Total

Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Soneto da Fidelidade

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes e com tal zelo, e sempre e tanto
que mesmo em face do maior encanto
dele se encante mais meu pensamento.
Quero vive-lo em cada vão momento
e em seu louvor hei de espalhar meu canto
e rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou ao seu contentamento.
E assim quando mais tarde me procure
quem sabe a morte, angustia de quem vive
quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto de Montevidéu

Não te rias de mim, que as minhas lágrimas
São água para as flores que plantaste
No meu ser infeliz, e isso lhe baste
Para querer-te sempre mais e mais.
Não te esqueças de mim, que desvendaste
A calma ao meu olhar ermo de paz
Nem te ausentes de mim quando se gaste
Em ti esse carinho em que te esvais.
Não me ocultes jamais teu rosto; dize-me
Sempre esse manso adeus de quem aguarda
Um novo manso adeus que nunca tarda
Ao amante dulcíssimo que fiz-me
À tua pura imagem, ó anjo da guarda
Que não dás tempo a que a distância cisme.
Soneto de agosto

Tu me levaste, eu fui...
Na treva, ousados
Amamos, vagamente surpreendidos
Pelo ardor com que estávamos unidos
Nós que andávamos sempre separados.
Espantei-me, confesso-te, dos brados
Com que enchi teus patéticos ouvidos
E achei rude o calor dos teus gemidos
Eu que sempre os julgara desolados.
Só assim arrancara a linha inútil
Da tua eterna túnica inconsútil...
E para a glória do teu ser mais franco
Quisera que te vissem como eu via
Depois, à luz da lâmpada macia
O púbis negro sobre o corpo branco.
Soneto a Quatro Mãos
Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.
Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.
Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade
o olhar extático da aurora.


Soneto de contrição

Eu te amo, Maria, eu te amo tanto
Que o meu peito me dói como em doença
E quanto mais me seja a dor intensa
Mais cresce na minha alma teu encanto.
Como a criança que vagueia o canto
Ante o mistério da amplidão suspensa
Meu coração é um vago de acalanto
Berçando versos de saudade imensa.
Não é maior o coração que a alma
Nem melhor a presença que a saudade
Só te amar é divino, e sentir calma...
E é uma calma tão feita de humildade
Que tão mais te soubesse pertencida
Menos seria eterno em tua vida.

SONETO À LUA
Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, que és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?
Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?
Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça nua
E não és Tatiana e nem Teresa:
E és tampouco a mulher que anda na rua
Vagabunda, patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina lua!


SONETO DE SEPARAÇÃO
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.