terça-feira, 7 de julho de 2009

Parto a pouco.
Rumo a Salvador,
Volto com o coração eternecido.

domingo, 28 de junho de 2009

PARATY,
ou PARATI,
PARANÓS.

Dia 30/06/2009, terça-feira, partimos.
Parati nos espera.
Até a volta e aguardem fotos e notícias.
















À EUGENIO DE ANDRADE, (poeta português), a quem aprendí a admirar !

O escritor e poeta Herberto Helder: quatro páginas manuscritas, enviou uma no final do ano 2000 um documento notável e revelador, mostrando a sua visão «pessoal» sobre a poesia portuguesa da segunda metade do século XX, na qual Eugénio é colocado no lugar cimeiro.
«Não há nenhum poeta português que possa ombrear consigo neste meio século», diz HH. «Talvez o Cesariny e a Sophia se aproximem de si, mas seria necessário, tanto a um como a outra, eliminar vários poemas maus. Quanto a si, não existe um só verso que deva ser eliminado.»

POEMAS DE EUGENIO ANDRADE


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus
***
Que música escutas tão atentamente

Que música escutas tão atentamente
que não dás por mim?
Que bosque, ou rio, ou mar?
Ou é dentro de ti
que tudo canta ainda?
Queria falar contigo,

dizer-te apenas que estou aqui,
mas tenho medo,
medo que toda a música cesse
e tu não possas mais olhar as rosas.
Medo de quebrar o fio
com que teces os dias sem memória.
Com que palavras
ou beijos ou lágrimas
se acordam os mortos sem os ferir,
sem os trazer a esta espuma negra
onde corpos e corpos se repetem,
parcimoniosamente, no meio de sombras?
Deixa-te estar assim,
ó cheia de doçura,
sentada, olhando as rosas,
e tão alheia
que nem dás por mim.
***

Beira de Água
Estive sempre sentado nesta pedra
escutando, por assim dizer, o silêncio.
Ou no lago cair um fiozinho de água.
O lago é o tanque daquela idade
em que não tinha o coração magoado.
(Porque o amor, perdoa dizê-lo,
dói tanto! Todo o amor.
Até o nosso, tão feito de privação.)
Estou onde sempre estive:
à beira de ser água.
Envelhecendo no rumor da bica
por onde corre apenas o silêncio.

***

Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume.

***
Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum

***

Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.








Salvador, cais do porto.




sexta-feira, 26 de junho de 2009

Sempre SIMONE DE BEAUVOIR!


"É horrível assistir à agonia de uma esperança"
***
"Renunciar ao amor parecia-me tão insensato como desinteressarmo-nos da saúde porque acreditamos na eternidade".
***
"O presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação".

quinta-feira, 25 de junho de 2009

"AS BRASAS", SANDOR MARAI.

Quero falar de Sandor Marai, de quem li "As Brasas" , e me foi indicado pela minha psicanalista.
Fiquei encantada com sua escrita, de como fala da vida, do amor e da velhice que chega um dia, invariavelmente.
Depois encontrei mais dois livros de Marai que comprei, mas ainda não os li.

Aqui vai um trecho sobre a velhice, que a primeira vista é muito doloroso.
Depois, percebemos que é irremediavelmente sem saída e que vamos envelhecer um dia.
É melhor então continuarmos em busca de dias melhores, momentos alegres e vida intensa.

"Compreendi tudo. Que quer que lhe diga?... A gente vai envelhecendo aos poucos: numa primeira fase, atenua-se a vontade de viver e de ver nossos semelhantes.
Vai prevalecendo o sentido da realidade, vai se esclarecendo o significado das coisas, você acha que os acontecimentos se repetem monótona e fastidiosamente. Isso também é um sinal de velhice. Finalmente, você percebe que um corpo é apenas um corpo e que os homens, pouco importa o que façam, são apenas criaturas mortais. Depois, seu corpo envelhece; não todo de uma vez, é verdade, primeiro envelhecem os olhos ou as pernas, o estômago, o coração.
A gente envelhece assim, pedaço por pedaço.
E então, de repente, sua alma envelhece: mesmo sendo o corpo efêmero e mortal, a alma ainda é movida por desejos e recordações, ainda procura a alegria. E quando também desaparece esse desejo de alegria, só restam as recordações e a inutilidade de todas as coisas; nesse estágio, estamos irremediavelmente velhos.
Um dia, você acorda e esfrega os olhos e não sabe mais por que acordou. Já sabe exatamente o que o dia apresentará a seus olhos: a primavera ou o inverno, os cenários habituais, as condições atmosféricas, a ordem dos fatos. Nada de surpreendente pode acontecer: não o surpreendem nem sequer os fatos inesperados, insólitos ou horripilantes, porque você conhece todas as probabilidades, já previu tudo e não espera mais nada, nem para o bem, nem para o mal... e esta é a verdadeira velhice.
E no entanto alguma coisa ainda vive em seu coração, uma lembrança, uma vaga e nebulosa esperança, há alguém que gostaria de ver, há algo ainda que gostaria de dizer ou saber. Um dia, você tem absoluta certeza, chegará esse momento, e então,de repente, saber e enfrentar a verdade já não lhe parecerá tremendamente importante como imaginara durante os anos de espera. O homem compreende o mundo um pouco de cada vez, e depois morre. Descobre as causas ocultas dos fenômenos e das ações humanas. A linguagem simbólica do inconsciente... pois os homens recorrem a uma linguagem simbólica para comunicar seus pensamentos, você nunca percebeu? Quando falam das coisas essenciais parece que usam uma língua estrangeira, que falam como os chineses, e é preciso traduzir essa língua para trazê-la ao plano da realidade. Os homens não sabem nada sobre de si mesmos. Falam sempre de seus desejos e camuflam osbtinadamente seus pensamentos mais secretos. Se você aprender a reconhecer as mentiras dos homens, notará que dizem sempre coisas diferentes do que pensam e querem realmente. E então a vida se torna quase divertida. Depois, um dia, você consegue entender a verdade: isso quer dizer que a velhice e a morte chegaram. Mas nessas alturas já não sente dor". (Sandor Marai)
Morro de São Paulo/BA

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Passa o São João,
sem fogos, fogo,
sem faiscas, sem paixão,
passa, muitos passarão.........
São João!


À poesia de Chico e musicalidade de Edu!

Valsa Brasileira
(Edu Lobo / Chico Buarque)
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer











Morro de São Paulo/Ba.

domingo, 21 de junho de 2009

A Daniel, pela beleza dos versos!

... enquanto a vontade de dizer alguma coisa
for maior do que a necessidade de ficar em completo silêncio!
Enquanto a esperança pulsar e os sonhos, de tão leves,
ultrapassarem a altura das nuvens!
[ DANIEL HIVER ]




Por do sol no "Farol da Barra"