O amor mostra ao homem
como é que ele deveria ser sempre".
Anton Tchekhov
As nossas palavras "ditas" e "bemditas" sobre o amor.
DESEJOS, PAIXÕES E LUGARES............... Meu blog traduz-se por abrir as "janelas da alma" e deixar entrar, sem mêdo, outros olhares ....... Aqui será também lugar de encontro com aqueles que como eu apreciam o nascer e o por do sol, o luar, a natureza, a música, a poesia e o amor. Além disso, um lugar para falar da arte cerâmica e o prazer de colocar a mão na massa....na argila! E como não poderia de deixar de ser, o lugar de vibrar com a vida, porque viver sem vibrar não é viver.
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
Carlos Drummond de Andrade



