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domingo, 12 de setembro de 2010

PAIXÃO

Belíssimo texto de Betty Milan,
com excepcional interpretação de Natália Timberg!


“Se digo que te amo é para que me digas o mesmo,
para saber se entre nós há reciprocidade,
se é tua a minha fissura.
Sendo, eu me torno indispensável
e posso momentaneamente esquecer de mim”.

O trecho acima faz parte da primeira cena de "Paixão",
encenada pela atriz Nathalia Timberg.
Com direção de Wolf Maia e música de Júlio Medaglia,
a montagem é um concerto da palavra
que fala sobre o amor e há mais de uma década,
faz parte do repertório da atriz, que tem 50 anos de carreira.
A peça é baseada em um dos capítulos do livro E o Que é o Amor?,
da psicanalista Betty Milan.
A atriz interpreta poemas de Adélia Prado, Bocage,
Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa,
Camões, Manuel Bandeira, Florbela Espanca
e outros poetas brasileiros e portugueses.

A peça vai da ilusão do amor à desilusão
e mostra que sem o sentimento amoroso nós não existimos.
E que ao morrermos para o amor, nós nos despedimos de nós mesmos.
Paixão foi concebida para ser encenada num só ato,
durante o qual o ator dará voz ao amor.
Na primeira parte do espetáculo, Natália Timberg encena o texto,
endereçando-se ao amado.
Na segunda, a atriz dá voz ao monólogo interior evocando o amor.
Já na terceira e última parte,
a atriz mantém a sua fala voltada para o público,
buscando a sua cumplicidade.
Em Paixão, a atriz consegue dar voz ao amor cujo discurso é universal.
O amor pela arte de interpretar de Natália Timberg
pode ser comparado a outro trecho do monólogo
onde a atriz verbaliza:
“a tudo eu prefiro amar, disso dependo não para ser quem sou,
e sim o que quero ser, sonhar comigo outro, vagar embora,
navegar sem leme em alto-mar, esquecido do chão onde de fato piso”.

Vamos esperar o retorno de Natália com a peça abaixo,
Já em cartaz e São Paulo.
Natália Timberg também está em cartaz,
com o espetáculo Sopros de Vida,
de autoria do britânico David Hare (As Horas (2003) e O Leitor (2009),
que pela primeira vez é encenado no Brasil.
Nesta versão brasileira, o texto que tem direção de Naum Alves,
Natália Timberg divide o palco com a atriz Rosa Maria Murtinho
proporcionando uma reflexão de forma humorada
sobre como é a vida na velhice.