Mostrando postagens com marcador miguel torga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador miguel torga. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Encontrei exatamente a mensagem em forma de poema,
ou quem sabe o poema em forma de mensagem,
aquele que fala de liberdade e desejo,
que fala do reconhecimento a si mesmo,
com ética e lucidez!
Especialmente para Tania, amiga de muitas horas!


RECOMEÇA
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

MIGUEL TORGA

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Belíssimas!
Para não perder o jeito.............e o amor.....pela poesia!


(...) este tormento Quotidiano;
(....) este lume secreto que nos queima
E que, mesmo apagado ou dominado, teima".


Frustração

Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.

Miguel Torga, in 'Diário XV'

sábado, 7 de novembro de 2009

Miguel Torga para amigos...


"A vida afectiva é a única que vale a pena.
A outra apenas serve para organizar na consciência
o processo da inutilidade de tudo"


Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...
in 'Diário VII'



Frustração

Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
E que as paixões tardias
São ironias
Dos deuses desleais.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Dia dos Mortos

(...) este tormento
Quotidiano;
(....) este lume secreto que nos queima
E que, mesmo apagado ou dominado, teima".
Miguel Torga


Doem-me mais os mortos que ainda vivem.......
Ah! como doem!
Ah que cavalos sao aqueles que fazem sombras no mar?


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

















"Prescindir da esperança significa que eu tenho que passar a viver,
e não apenas a me prometer a vida"
Clarice Lispector


Esperança



Tantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz!
Vens às vezes no amor, e quase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
Desesperado
Que apenas ouve o eco...
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio de um vinho herético e sagrado.

Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'



Não Pode Tirar-me as Esperanças

Busque Amor novas artes, novo engenho
Para matar-me, e novas esquivanças;
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Pois não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas conquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê.

Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde;
Vem não sei como; e dói não sei porquê.

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"






sábado, 21 de fevereiro de 2009

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas às urgentes perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto o nosso amor durou.
Mas o tempo passou, há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga



















Morro de São Paulo/BA