sábado, 16 de abril de 2011

E O SOL AINDA SE PÕE................. BOIPEBA!

Dois Rios

 (samuel Rosa - Lô Borges - Nando Reis)

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios Sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

http://www.youtube.com/watch?v=HMapj1aDzVg
  









 
carnaval/ março /2011

sexta-feira, 15 de abril de 2011

ANTONIO LÔBO ANTUNES

Tudo o que nos abandona precisa de muito tempo para desaparecer

8:15 Quinta feira, 24 de Mar de 2011

Porque razão não voltaste a telefonar e me deixas assim, suspensa, à tua espera? Nem para o emprego
(conheces o número do emprego)
nem para casa, sabes que estou sozinha, não recebo ninguém, uma amiga de tempos a tempos que não impede que ligues, quando muito saio uma hora ou duas ao sábado para visitar a minha mãe, nunca vou ao cinema, nunca janto fora, como qualquer coisa por aqui, leio uma revista
(nem leio uma revista, folheio, vejo as fotografias e é tudo, ou antes nem vejo as fotografias, fico a pensar em ti)
poiso a revista, abro a televisão, fecho a televisão, vou à janela espreitar a rua, penso que é o teu carro a estacionar lá em baixo e nunca é o teu carro a estacionar lá em baixo, nunca és tu a fechar a porta com o comando eléctrico e as luzes do automóvel a acenderem-se e a apagarem-se, nunca são os teus dois toques de campainha, nunca é o teu aceno no capacho nem o embrulhinho de biscoitos de que não gosto e me forço a comer e a fazer dieta no dia seguinte dado que os biscoitos engordam, nunca é a tua mão no meu ombro
- A minha menina
o teu perfume, a tua maneira de acomodar o rabo no sofá, a tua aliança que apesar de normal me parece sempre enorme e me dói, não tenho coragem de te confessar que me dói mas dói, conforme me doem as tuas mentiras
- Há anos que não há nada entre nós
que me obrigam a perguntar, calada, se entre nós há alguma coisa, vinhas uma ou duas ocasiões por mês, não ficavas nunca e, no entanto, bastava-me, não peço muito à vida, não peço seja o que for à vida, acostumei-me, não tenho motivos para lamentar-me, o que ganho chega, graças a Deus a saúde não me tem faltado apesar do problema da coluna, tomo as injeções no posto médico e as coisas vão andando, o creme que me receitaram na farmácia ajuda, o apartamento claro que não é grande mas para mim sozinha chega e sobra, não existe uma prestação por pagar, arranjo sempre um dinheirito ao fim do mês, volta e meia compro um vestido, uns sapatos, os vizinhos não fazem barulho, há agora um bebé no primeiro direito mas sossegado, tenho saudades tuas, Ernesto, mesmo com a aliança tenho saudades tuas, no outro dia vi-te com a tua mulher no supermercado e apesar disso consegui fazer as compras todas, uma pessoa da minha idade, talvez maior, mais bonita, achei esquisito não haver nada entre vocês há anos e embora ache esquisito acredito em ti
- És a minha menina
preocupo-me com o teu coração sempre que levas a mão ao peito, tiras um comprimido de uma caixinha, me pedes água, me ofereces um sorriso pobre
- Ferrugem na máquina
e a seguir melhoras, suponho que o comprimido limpa a ferrugem toda, aflijo-me com a tua palidez, com o dedo a medir a pulsação julgando que não noto, como podia não notar, tudo o que te aflige assusta-me, não te aborreço
- Que ferrugem na máquina?
para que não te sintas velho ou inútil, suponho que tens sessenta anos e portanto uma vida inteira à frente, o emprego deve cansar-te, as maçadas, quando menos se espera descais-te num suspiro
- A minha filha não há maneira de ter juízo
e ignoro o que, na tua ideia, não ter juízo seja, fico calada, é evidente, trago-te aquele licor fraquinho que tu gostas, faço-te festas no pescoço, a medo, com receio de maçar-te, não reclamo seja o que for, não mendigo seja o que for, só desejava que de tempos a tempos te lembrasses de mim, há sete meses que nem uma palavra, inquieta-me que a ferrugem haja aumentado e estejas na sala de espera de uma consulta, emagrecido, pálido, digo
- Ernesto
em voz alta como se dizer
- Ernesto
te melhorasse, comove-me que andes a perder cabelo, que o nó da tua gravata um bocadinho torto, que uma tremura no queixo, pode ser que mais de sessenta anos, sessenta e cinco, setenta e apesar de setenta a vida inteira à tua frente à mesma, o que eu não dava para te ter aqui um momento, um minutinho, um instante, na tua última visita trazias dentes novos que te tornavam mais vigoroso apesar de mal pegados à gengiva e a incomodarem-te que se percebia por estares constantemente a empurrá-los com a língua, oxalá encontres um pó que segure a placa, a minha mãe usa um pó que segura lindamente a placa, repara-se que placa mas firme como uma lapa no queixo, mastiga de tudo, não te agradava ficar um momento comigo no sofá, não te anima o licorzinho, a quantidade de vezes que digo em voz alta, aqui em casa
- Ernesto
na esperança de um sorriso teu, mesmo pobre, mesmo aflito, na esperança de
- A minha menina
e eu, sem coragem de responder
- O meu rapaz
digo
- O meu rapaz
para dentro, não me sai, não consigo, faço tanta cerimónia, não me atrevo a procurar-te, a tentar saber de ti, a incomodar, a protestar
- Que aliança tão grande, Ernesto
eu que não casei nunca, uns namoricos, umas cartas cerimoniosas, um domingo, durante uma excursão no norte, um
(desculpa)
beijo, estava guardada para ti desde sempre, guardada para ti, Ernesto, seria incapaz de me imaginar com outro homem, continuo à tua espera, sabias, que arrumes o carro, subas, me garantas
- A minha menina
enquanto verificas se trazes a caixinha dos comprimidos no bolso, pode parecer-te parvo mas adorava acariciar a caixinha, não te rias de mim, ou antes não levantes na minha direção o teu sorriso pobre e a tua desculpa
- A ferrugem
mesmo que fosses um parafuso todo escuro adorava-te, guardada para ti desde sempre, a comer qualquer coisa sozinha, a folhear uma revista, a fechar a televisão, a deitar-me, guardada para ti, Ernesto, podes ter a certeza, desde o princípio do mundo.

INESQUECÍVEL BOIPEBA......

Fotos no primeiro dia 4/03/2011,
Encantada com a beleza da natureza
E a quietude do lugar!





domingo, 20 de março de 2011

BOIPEBA - NATUREZA PULSANTE!

A Ilha de Boipeba, inserida no Arquipélago de Tinharé,
é cercada de um lado pelo oceano
e de outro pelo estuário do Rio do Inferno.
A Ilha se destaca por uma rara beleza natural
e grande diversidade dos seus ecossistemas
e está integrada à Área de Preservação Ambiental
das Ilhas de Tinharé e Boipeba.
Junto com a Ilha de Cairu formam o município singular do mesmo nome.
Em virtude do patrimônio natural,
a região foi reconhecida pela UNESCO
como Reserva da Biosfera e Patrimônio da Humanidade,
estando inserida no Corredor Central da Mata Atlântica.



A Ilha de Boipeba está inserida no Arquipélago de Tinharé,
que compõe o município de Cairu, situado no Baixo Sul da Bahia.


Cercada de um lado pelo oceano e de outro pelo estuário do Rio do Inferno,
a ilha se destaca por uma rara beleza natural
e grande diversidade dos seus ecossistemas.


m'boi pewa - é uma palavra tupy que quer dizer "cobra chata",
em referência a tartaruga marinha de onde se originou o nome Boipeba.


Boipeba contempla floresta densa da Mata Atlântica, restinga, dunas, extensos manguezais e praias paradisíacas com coqueirais
e recifes de grande valor ecológico e paisagístico.
Os recifes se estendem pela costa
e tornam as praias abrigadas das ondas e correntes.
Estes recifes são muitos largos e cortados por canais e poças.
A flora e fauna são ricas de uma grande variedade de corais,
algas, peixes, moluscos, ouriços, estrelas e outros.
Além disso, pode-se constatar a existência de tartarugas marinhas na região, as quais desovam em diversas praias da ilha.

Mais informções sobre pousadas, passeios, como chegar,
acesse o site abaixo, de onde retirei os dados que fornecí.

www.ilhaboipeba.org.br/boipeba.html

ITACARÉ

PRAIA DA CONCHA /Itacaré-Bahia

O município tem origem numa igreja
fundada pelos jesuítas no século XVIII.
A povoação foi elevada a sede de município em 1732
com a designação de São Miguel da Barra do Rio das Contas.
Passou a ter a designação atual em 1931.


Tem uma formação geológica única no Nordeste Brasileiro,
com uma faixa costeira dotada de solo fértil e falésias rochosas,
e por isso a Mata Atlântica avança até o mar. (Wikipédia)

ACESSÓRIOS - bijouxs


Foi com muito prazer, sobretudo, que realizamos o lançamento
da nossa linha de acessórios, (por enquanto) leia-se "colares".

O encontro foi partilhado com os alunos, amigos,
e muitos convidados.

As peças são elaboradas a partir de peças de cerâmica,
em baixa e em alta temperatura, com o jeito, a cor, e a magia baiana.
São peças únicas, onde agregamos alguns elementos naturais, 
tipo madeira, as vezes uma peça em metal, cordões rústicos,
que sintonizam tão bem.
Como apaixonada pelos acessórios femininos,
eu e Gleice sempre garimpamos peças pouco comuns,
e fizemos disso uma constante no nosso dia a dia.
Resolvemos então fazer nossas peças,
com um design cheio de brasilidade,
e fazê-los viajar por ai,
realçando a graça e a feminilidade da mulher!
E FAZER É O QUE HÁ!

O INSTANTE EXISTE !

Houve um longo e invernoso verão,
Intrecortado de tristezas e alegrias,
ganhos e perdas,
da matéria que é feita a vida,
e de ausências sentidas....................

Aos amigos que me escrevem sempre pedindo notícias no blog,
o tempo não se perde nunca, o instante existe!
Cá estou eu!

"Eu canto porque o instante existe

E a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
Sou poeta.
Irmã das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
No vento
Se desmorono ou se edifico,
Se permaneço, ou me desfaço,
- não sei, não sei.
Não sei se fico ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa rimada.
E um dia sei que estarei muda:
- mais nada".  Cecília Meirelles