domingo, 8 de fevereiro de 2009


Flor de ir embora,
É uma flor que se alimenta
Do que a gente chora.
Rompe a terra, decidida,
Flor do meu desejo
De correr o mundo afora.
Flor de sentimento
Amadurecendo, aos poucos,
Minha partida.
Quando a flor abrir inteira.
Muda a minha vida.
Esperei o tempo certo.
E lá vou eu, e lá vou eu
Flor de ir embora, eu vou
E agora, esse mundo é meu.(Fátima Guedes)
Porto Seguro, julho/2008






Como hei-de segurar a minha alma
para que não toque na tua?
Como hei-de elevá-la acima de ti,
até outras coisas?
Ah, como gostaria de levá-la
até um sítio perdido na escuridão
até um lugar estranho e silencioso
que não se agita,
quando o teu coração treme.
Pois o que nos toca, a ti e a mim,
isso nos une, como um arco de violino
que de duas cordas solta uma só nota.
A que instrumento estamos atados?
E que violinista nos tem em suas mãos?
Oh, doce canção.
Rainer Maria Rilke

Bem que velho
te reclamo
Bem que velho
te desejo
quero e chamo
Manuel bandeira

Insistência (Damário da Cruz)

Os amores impossíveis
sabem dos seu destinos.
Os amores impossíveis
insistem como beija-flores
na busca incessante
do néctar invisível.
Os amores impossíveis
estão sempre fora da rota
mas acreditam que chegarão.
Não deixem de visitar o BLOG do Saramago.
Saramago chama a Internet de “a página infinita” e assim a define:
“Essa página não terá que dizer um dia: ‘Estou cheia. Não escreva mais!‘”.

http://caderno.josesaramago.org
PASSAGEM DAS HORAS (Fernando Pessoa/Álvaro de Campos)

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.(…)
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranquila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias. (…)
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim. Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei


E então, hoje já é outro dia?
































































"E ao entardecer o sol novamente se põe
Radioso, belíssimo,
E meu coração enternece,
Sente a nostalgia de um dia findo......
Mas sabe que amanhã ha um novo alvorecer!"

















RODA VIVA (Chico Buarque de Holanda)


Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...
Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há

Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...
A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva

E carrega a viola prá lá...
O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...


FRAGMENTOS DE UM DIA DE VERÃO....................(Vilas do Atlântico)

"Tem dias que a gente se sente...............
Morrendo a cada dia,
A mais linda roseira cultivada
A roda viva carrega ,
foi tudo ilusão passageira.............................


Tinha 14 anos quando ouvi a poesia de Chico pela primeira vez.
Foi o primeiro disco que ouvi interminavelmente,
e onde "com açucar e com afeto" abria as mais belas poesias que jamais pensei ouvir.
Eu era menina e aquilo me chegava como uma sensação de doçura e força,
De realidade e sonho,
De amor e de saudade,
De solidão e completude,

E de muita esperança.
Eu começava a conhecer a vida!

Hoje, saio e vejo o mundo,
Procuro esconder a tristeza,
Vou a procura do mar, do sol,
Tenho a esperança que tudo irá mudar!

Hoje o dia estava reluzente,
um dos mais belos desse verão.
Não resisti ao mar e seus encantos,
Vi mais uma vez a beleza de "Vilas",
Onde lá estive tão feliz!"