quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Rio de Contas , Bahia, 2007
Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..." Florbela Espanca



















Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drumond de Andrade




O meu amor.........
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava osdentes, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai


O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
















MINAS GERAIS /2005 - Uma saudade gostosa, vontade de repetir, de voltar, diferente............

Minas me traduz amizade, lealdade, companheirismo, solidariedade e outras palavras que não consigo dar conta................



Ouro Preto























Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano,
basta ter sentimentos, basta ter coração.
Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir.
Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro,
de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa.
Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados.
Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa.
Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo.
Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo.
Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância.
Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade.
Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.
Precisa-se de um amigo para se parar de chorar.
Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas.
Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Vinicius de Morais



Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Morais



Porto seguro/Bahia/maio 2008/Inverno

O sol caia, era o entardecer no inverno, em maio, dias mais curtos mas não menos belos que os do verão......

Ao longe, saindo na balsa, avistei dois homens que podiam estar a falar de si, das lembranças e da vida que passava, ligeira, como um sopro...........

Era um momento de calmaria,

o mar parece ser cúmplice do que acontece ao redor,
entende de saudades, esperanças e pressentimentos...........

Voltei-me a vida, a minha,

quis compreender o que acontecia,
como se me desse a garantia do depois......
Voltei o olhar e o sol fôra embora,
havia pouca luz, a vida passara rápida......
como num sopro .................

Carmen Bastos






























Como diz Quintana, " os outros passarão......., eu passarinho..."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009


Estava em São Paulo; fui levada a um lugar paradisíaco, o "Parque das Cerejeiras" ; sonho , poesia, um misto de tudo isso e muito mais.
Nem preciso dizer que Ivone e Sossô me levaram...........origens nipônicas, um sitio destinado a reflexão e a quietude........
Um lugar daqueles que se tem vontade de fotografar tudo, como se isso garantisse uma lembrança fiel e uma presença na alma, de um lugar como poucos.

































Conhecem a música "Cerejeiras em Flor" ?
Compreendi a inspiração.........























































































































segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

É preciso capacidade de reinventar a ternura,
reinventar o amor, a surpresa, a descoberta.......................




Esta foi uma das viagens mais belas que fiz,
dia perfeito, um porto seguro!
Jamais pensei que voar era tão bom!
Jamais pensei que lá em cima tudo parece mais fácil.
Jamais pensei experimentar aquela sensação de liberdade,
de paz, de encontro.
Fiquei com gosto de quero mais!




"A gente pode fugir por muito tempo, mas chega a uma altura que tem que parar.
A lebre pode correr através dos campos, mas a certa altura tem que descansar.
E portanto tem que parar e nestas alturas olhamos a nós mesmos. (Lôbo Antunes)
MORRO DE SÃO PAULO,
UMA SURPRESA.............................
fev/2008
Fomos surpreendidos por um espetáculo indescritível.
No céu, sobre a escuridão do mar, um eclipse da lua, o mais bonito que até hoje pude ver.O mar tinha reflexos cor de prata, era calmo e tinha aguas mornas, como se pudesse entender a beleza do que acontecia sobre ele.
Lua e sol estavam juntos, como se não houvesse amanhã.