quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Ordem Segunda de São Francisco,
"Igreja de Santa Clara do Desterro".



As Clarissas foram as primeiras Religiosas a se estabelecerem no Brasil,
solicitadas pela Câmara, nobreza e povo da Bahia.
Aos 09 de março de 1677, chegaram de Èvora (Portugal)
as quatro monjas fundadoras do Imperial Convento de Santa do Desterro,
que em breve floresceu, tornando-se uma comunidade numerosa.
A perseguição religiosa clandestina,
movida pelo governo contra os Institutos Religiosos e,
sobretudo o deplorável aviso do Ministério da Justiça,
que fechou os noviciados das casas religiosas em todo o território nacional,
fez com que se extinguisse o Mosteiro.
Em 1915 falecia a última Clarissa, com oitenta e quatro anos de idade.
Por treze anos não houve nenhum Mosteiro de Clarissas em nosso País,
até que, em 1928, o antigo tronco reflorou.




Ainda visita a Igreja de São Francisco (Ordem Primeira)

A Igreja e Convento de São Francisco são importantes edificações históricas
da cidade de Salvador - Bahia.
Foram classificadas, em 2009,
como uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo
e indicadas á eleição das 7 Maravilhas do Brasil.
Sua origem data de 1686.
O convento foi iniciado primeiro e,
em 1708, foi lançada a pedra fundamental da igreja,
com o edifício terminado em 1723, mas sua decoração ainda levou mais tempo.
O convento foi concluído em 1752,
porém todo o complexo só foi finalizado em 1782,
com a colocação dos azulejos e arremate da portaria.
A planta da igreja é incomum
entre as edificações franciscanas do Nordeste brasileiro,
pois tem três naves,
ao passo que o desenho mais usual conta com apenas uma nave.
A fachada, voltada para um grande largo onde existe um cruzeiro,
tem influência maneirista, com duas torres laterais relativamente simples
e um volume central mais decorado, especialmente no frontão.
A igreja é especialmente preciosa
pela sua exuberante decoração interna.
Todas as superfícies do interior - paredes, colunas, teto, capelas -
são revestidas de intrincados entalhes e douraduras,
com florões, frisos, arcos, volutas e inúmeras figuras de anjos e pássaros
espalhadas em vários pontos,
além de painéis em azulejos portugueses
com cenas e inscrições moralistas diversas.
É considerada uma das mais significativas expressões do barroco no Brasil.
(Wikipédia)


Sala do Coro




Visão da Sala do Coro



Igreja da Ordem Terceira de São Francisco
RARA BELEZA!
Ordem Primeira e Ordem Terceira de São Francisco

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

SEMINÁRIO DE ARQUITETURA FRANCISCANA - EAUFBa.


O conhecimento, a observação, a sensibilidade,
dão-nos um olhar diferenciado sobre a nossa história.
Esta semana, durante o seminário,
tive o prazer de realizar visitas guiadas
com professores da escola de arquitetura da Ufba.,
e conhecer o lado pouco conhecido para grande maioria,
da história da aquitetura franciscana, suas origens na Bahia, principlamente,
e ver assim revelada uma fascinante parte da nossa história.

Ontem, (11.09), tive o prazer de acompanhar
o professor Chico Senna,
ao interior da Igreja de São Francisco, e arredores,
e ouví-lo falar apaixonadamente
sobre a história das ordens religiosas no período colonial,
sobretudo a franciscana,
além da riqueza de detalhes que mudaram o meu olhar
em relação as edificações religiosas
e sua arquitetura e beleza artística.

A Igreja franciscana de Cairú, segundo os historíadores,
é considerada a invenção do barroco brasileiro.
Segundo o professor adjunto da UFPB, Alberto Souza,
ela foi Projetada nos meados do século XVII,
sua frontaria foi a primeira construída no Brasil que se afiliava ao barroco
– em razão do seu caráter cenográfico, da agitação dos seus contornos,
de sua dramaticidade, do papel que a decoração nela desempenha .
Ela foi, mesmo, duplamente pioneira,
pois surgiu antes que uma fachada barroca aparecesse em Portugal.

O professor Chico Senna nos remete com emoção, maestria e conhecimento,
a um passado rico, que nos fala da chegada dos portugueses ao Brasil,
a explosão barroca nos séc. XVII e XVIII,
levando-nos a compreensão da sociedade luso-brasileira,
além da religiosidade e a importância da Igreja neste período áureo.
Parabéns Professor Francisco Senna!


I - Visita a Ordem Primeira (Igreja de São Francisco)
e a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco.
Salvador - Bahia

Prof. Chico Senna

Igreja de São Francisco (Ordem Primeira)

Largo do Cruzeiro
Claustro da Ig. São Francisco


Painéis de Azulejos portugueses.
Participo de 10 a 14.ago,
do Seminário de Arquitetura Franciscana,
promovido pela
Escola de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia,
da qual sou egressa.

Informações no site abaixo:
www.vitruvius.com.br/evento/evento_detalhe.asp?codigo=258

Ainda há tempo de participar!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

SALVADOR DA BAHIA!
"Terra Querida".

Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei ás romãs a cor do lume.
Eugénio de Andrade
*************
Os portugueses ainda chamam "Salvador da Bahia",
como a muitos anos atrás era chamada.
Dedico a eles, estas fotos,
pelo carinho e encantamento que senti ao falarem do Brasil,
e especialmente Salvador.
Forte de São marcelo , Salvador / Bahia

Bairro do Rio vermelho , Salvador- Bahia

Dique do Tororó, Salvador- Bahia









SOLAR DO UNHÃO , Salvador- Bahia





FONTE NA CIDADE BAIXA, Salvador- Bahia









MARINA DA CONTORNO ,
Salvador - Bahia









Marina da Contorno









Gabinete Português da Leitura ,
Salvador - Bahia
(Belíssimo prédio)










Farol da Barra,
Salvador - Bahia










Praia Porto da barra ,
Salvador - Bahia
"Onde os portugueses desembarcaram
pela primeira vez depois do descobrimento".










Praia do Farol da Barra,
Salvador - Bahia











Salvador - Bahia










Farol da Barra















Por do sol, no atelier terrae cor,
Salvador - bahia











Clube Náutico /
Companhia baiana de Navegação,
Salvador - Bahia
















Rampa do Mercado Modêlo ,
Salvador - Bahia














Palácio Rio Branco,
Salvador - Bahia

























Elevador Lacerda, liga a cidade alta a cidade baixa,
Salvador - Bahia




sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O OUTRO
(Bernhard Schlink)

Um conto, rápido, emocionante, fulgás, como a própria vida.
Um olhar sobre o outro e sobre nós mesmos,
Inusitado.

A mentira da verdade
Por José Castello(Caderno Prosa & Verso - edição 09/05/2009)

A literatura é um rasgão na placidez do mundo.
Olhar enviesado, que nos pega pelas costas e de mau jeito,
ela se impõe como um golpe e nos agita.
Pode a literatura dar conta do mundo?
Lendo Manuel Bandeira, deparo com uma de suas traduções
do poeta espanhol Juan Ramón Jiménez, que me ajuda a pensar:
"Colhi-te? Não sei/ Se te colhi, pluma suavíssima/ Ou se colhi tua sombra".
Nunca chegamos ao que queremos.
O mundo se assemelha a esses espelhos sinuosos que,
nas feiras e nos circos, nos oferecem sucessivas imagens deformadas.
Você se mira naquelas sombras, na esperança, tola, de uma convicção.
À saída, já não sabe mais quem é.
Ideias sobre os limites fluidos do ser me vêm enquanto leio "O outro",
novela do alemão Bernhard Schlink (Record, tradução de Kristina Michahelles).
Um livro simples que - com a delicadeza cruel dos anestesistas,
que nos embalam em sono profundo só para que nos retalhem
- arranca a cortina de ilusões em que nos protegemos.
Schlink (que é também o autor de "O leitor",
livro que Stephen Daldry transformou em um filme premiado) nos pega de jeito.
Acredita-se, em geral, que ele seja só um inofensivo autor de bestsellers.
Você se deixa levar por seus relatos, neles se aconchega,
como se abraçasse um animalzinho de estimação.
Ao final, porém, o livro fica cravado em seu peito, como uma adaga.
"O outro" é a história de Bengt, um músico que,
depois de perder a mulher, Lisa, vitimada por um câncer,
faz uma descoberta cruel: durante longos anos,
sem que ele jamais suspeitasse, a esposa o traiu.
A carta de Rolf, o Outro, lhe chega em meio aos cartões de condolências.
Destina-se não a ele, o viúvo, mas a Lisa, a morta.
Julgando-a viva, Rolf lhe escreve para falar do "pecado da vida não vivida, do amor não amado". Implora que volte a seus braços.Bengt lê a carta do Outro com desespero.
O ciúme o fere. Mais dolorosa, porém, é a ideia de que, provavelmente,
não conhecia a mulher que amou.
"Como saber se ela fora uma para ele e outra para o Outro?" - ele se pergunta.
Não se interessa por Rolf, mas pelo lugar que o Outro ocupou na vida de sua mulher.
Lugar não só de um terceiro, mas a partir do qual uma nova imagem de Lisa
- agora vista como uma estranha, ela também Outra - se descortina.
Ao lado do Outro, Lisa era, por certo, a mesma mulher que ele sempre amou e a quem,
com tanto carinho, ajudou a morrer.
Mas era, ao mesmo tempo, uma Outra, uma desconhecida.
A imagem da amada se divide.
O que é pior: Lisa ter sido Outra ao lado do Outro, ou ter sido a mesma?
Quem, afinal, foi Lisa: a mulher que o amou, ou a mulher que o traiu?
Bengt controla a raiva e, friamente, escreve ao Outro comunicando a morte da esposa.
Quer dar a questão por encerrada.
São apenas três frases secas: "Sua carta chegou. Mas já não chegou para quem você a escreveu. A Lisa que você conheceu e amou morreu."
Em vez de tomá-la como um comunicado fúnebre, porém,
o Outro a lê como um pedido de ruptura, que a amada assina.
Como são pérfidas as palavras!
A carta - a mesma carta -, dependendo de quem a lê, se torna outra carta.
As três linhas escritas por Bengt imitam a consistência fluida da literatura,
massa pegajosa que, na mente de cada leitor, toma uma forma.
Volto à sentença genial de Roa Bastos: "Um livro só existe na cabeça do leitor".
Para cada um de nós, um mesmo livro é, sempre, outro livro.
Um desesperado Bengt responde a carta em nome de sua mulher - "ressuscistando-a".
Ao ocupar o papel da morta, ele experimenta o prazer perverso
de transformar Rolf em seu fantoche.
Passa a lidar, assim, com um segundo Rolf: não mais o homem que Lisa amou,
mas o tolo que ele, por vingança, manipula.
Faz assim, do Outro, um terceiro.
A partir daí, Bengt se entrega a um jogo sofisticado,
no qual as regras variam de acordo com quem mexe as peças.
Não é outra coisa a literatura, senão um mundo arbitrário que,
nas mãos de cada escritor, se transforma em algo distinto.
A literatura é uma valise dentro da qual o escritor,
iludido a respeito de seu poder, arruma as palavras.
Mas só o leitor - cada leitor - lhes confere sentido.
A partir daí, Bengt passa a viver para o Outro que, no entanto,
já não é o Mesmo que Lisa conheceu.
Que desassossego! O mundo sacoleja: as posições se desfiguram, os horizontes quebram.
Com as cartas escritas em nome de Lisa, um temerário Bengt não só
se intromete no amor secreto entre ela e o Outro,
como inventa uma maneira (suicida, pois faz dele uma carta fora do baralho)
de ressuscitar a mulher.
O jogo se desenrola até o momento-limite em que Bengt,
não suportando mais o solo quebradiço em que avança,
decide procurar o Outro, Rolf em pessoa, para encará-lo.
Acredita que, defrontando a verdade, pisará, enfim, em terra firme.
A verdade, porém, é deplorável: Rolf não passa de um pobre fanfarrão, um miserável janota.
A verdade é uma mentira. O que Lisa via, afinal, naquele imbecil?
Bengt abandona, então, a busca da verdade e a substitui - para usar uma expressão do artista russo Wassily Kandinsky - pela invenção de uma "olhada interior".
Abdica da nitidez e da perfeição e retorna a si.
Também o Outro se duplica: Rolf era um homem para Lisa,
passa a ser outro para Bengt, que só assim pode fazer a travessia de seu luto.
Ao leitor cabe, agora, elaborar uma perda:
a de suas ilusões a respeito do que lê.
Não temos mais o direito de acreditar nesses personagens límpidos e coerentes
que habitam as narrativas da tradição.
Se eles ainda surgem em muitos relatos contemporâneos,
já não passam de farsas.
Cabe, então, ao leitor se perguntar quem era aquele Outro que,
em seu lugar, com sinceridade e boa fé, lia com tanta candura.
A crença cega, os dogmas, as certezas já não lhe servem mais.
A novela o leva a uma difícil descoberta:
a de que as grandes narrativas são aquelas que nos libertam.
Nem a beleza dá acesso à verdade, que é sempre inacessível.
"A beleza não é meta suficiente para a arte", dizia Kandinsky.
Vêm-me, agora sim, os versos de Manuel Bandeira:
"Não quero mais saber do lirismo que não é libertação".


Trecho de "O Outro"

"O outro não embelezara Lisa com suas palavras.
Simplemente enxergara a maravilhosa violinista que era.
Para ele, não tinha importância se ela era solista,
se tocava o primeiro ou segundo violino,
se era mais ou menos bem-sucedida ou famosa.
Ele não dizia coisas bonitas,
ele encontrava coisas bonitas,
ele encontrava beleza onde outros a escondiam
ou não enxergava e usava os atributos que os outros utilizavam
para expressar a sua admiração para expressar a sua própria.
Se os outros só podiam conceber uma violinista maravilhosa se ela era famosa,
então ele precisava se referir à violinista maravilhosa como famosa.
Da mesma forma, ele devia ter enxergado em si mesmo o grande mediador de conflitos,
o campeão de polo e o dono de um dobermann premiado.
Talvez tivesse o talento para isso.
Pois a beleza que ele tanto celebrava não apenas continha uma verdade mais elevada,
e sim mais palpável; afinal, ele não falava das apresentações de Lisa como solista,
mesmo que suas celebrações e seus elogios soassem assim para convidados
e ninguém se incomodara com aquilo, e sim sobre uma peça em que ela tocara a parte decisiva, marcante e brilhante.
Também a alegria de Lisa era verdadeira.
Não que Lisa tivesse sido alegre com o Outro e não com ele,
ela não fora mais alegre com o Outro do que com ele.
Lisa recebera e tornara os outros alegres de múltiplas maneiras - sempre alegre.
A alegria que ela lhe dera não fora uma alegria menor, mas precisamente a que cabia no seu coração pesado e mais azedo.
Ela não o privara de nada.
Dera-lhe tudo o que ele fora capaz de receber".

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Agosto

Há uma lua cheia lá fora,
Enorme!
Belíssima!
Lua de lembranças,
Intermináveis!